A Peregrinação

“Quem conhece a si mesmo conhece a seu Senhor.” (Profeta Maomé)

A Peregrinação a Meca e a Peregrinação Interior à Essência do Coração

Peregrinação, de acordo com os preceitos religiosos, é a visita à Caaba na cidade de Meca (Makka), na Arábia Saudita. Existem certas exigências ligadas a esta Peregrinação: de vestir o traje dos peregrinos – duas peças de tecido branco sem costura, que representam o abandono de todos os laços mundanos; de chegar a Meca em estado de ablução; de realizar sete voltas ao redor da Caaba – um sinal de completa entrega; de correr sete vezes entre Safa e Marwa; de ir até o monte Arafat e permanecer lá até o pôr-do-sol; de passar a noite em Muzdalifa; de fazer o sacrifício em Mina; de fazer outras sete voltas ao redor da Caaba; de beber na fonte de Zamzam; e fazer dois ciclos de oração perto do local onde o profeta Ibrahim (Abraão) permaneceu, perto da Caaba…

Quando tudo isso é feito, a Peregrinação está completa e sua recompensa garantida, e, se alguma coisa fica faltando no ritual, sua recompensa é cancelada. Allah, o Altíssimo, diz: E cumpri a Peregrinação e a Umra (aos lugares sagrados) por amor a Allah. (Surata Al-Bácara – “A Vaca”, vers. 196, do Alcorão.) Quando tudo isso está completo, muitas conexões com o mundo que eram ilegais durante o ritual, passam a ser legais novamente. O peregrino, agora em estado de normalidade, faz sua última volta e retorna à sua vida cotidiana.

A recompensa da Peregrinação é anunciada por Allah: E todo aquele que entre nela está salvo, e a Peregrinação à Casa é um dever que o homem presta a Allah, todos devem encontrar um meio de realizá-la. (surata Ál ‘Imran – “A Família de Kumran”, vers. 96.) Todo aquele que realizar a Peregrinação estará salvo do fogo do inferno. Esta é a recompensa (O gnóstico compreende perfeitamente a que Peregrinação se refere o Alcorão).

A Peregrinação Interior também necessita de um grande esforço de preparação e acúmulo de provisões, antes do início da viagem. O primeiro passo é encontrar um guia, um mestre, alguém que você ame e respeite, que você confie e obedeça. Ele vai abastecer o peregrino com as provisões que necessita. Então o peregrino terá que preparar seu coração. Para despertá-lo, deverá recitar a 1ª frase sagrada La ilah ill Allah – Não há mais deus que Allah, ou seja, nosso Pai Interior – e recordar Allah contemplando o significado da frase. Com isso o coração desperta, torna-se vivo.

Deve recordar-se de Allah e permanecer em estado de recordação até que todo o seu ser interior esteja purificado e limpo de tudo o mais, exceto Ele (Allah). Após a purificação interior, o peregrino deverá recitar o Nomes dos atributos de Allah, que lhe acenderão a luz da beleza e da graça de Allah.

É nessa luz que está sua esperança de ver a Caaba da essência secreta. Allah ordenou a Seus profetas Ibrahim (Abraão) e Ismael que fizessem essa purificação quando disse: E (recorda-te) de quando indicamos a Ibrahim (Abraão) o local da Casa, dizendo: Não Me atribuas parceiros, mas consagres Minha Casa para os circungirantes, para os que permanecem em pé e para os genuflexos e prostrados. (surata Al-Hajj – “A Peregrinação”, vers. 26).

Da mesma forma que a Caaba material na cidade de Meca é mantida limpa para os peregrinos, quanta limpeza não se faz necessária na Caaba Interior, através da qual a Verdade pode ser vista! Após esses preparativos, o peregrino interior envolve-se na luz do espírito santo, dissolvendo sua forma material na essência interior, e circunda a Caaba do coração, recitando internamente (mantra) o segundo Nome Divino – ALLAH, o nome próprio de Alláh. Move-se em círculos porque o caminho até a essência não é reto, mas circular.

Seu fim é seu começo. O peregrino vai então até o ‘Arafat do coração, o local interno das súplicas, aquele lugar onde temos a esperança de conhecer o segredo de: “Não há deus senão Ele, Aquele que é Único e que não tem parceiros”. Lá ele permanece recitando o terceiro Nome, HU – não sozinho, mas com Ele, pelo que Allah diz: E (Ele) está convosco onde quer que estejais. (surata Al-Hadid – “O Ferro”, cap. 4). Então recita o quarto Nome – HAQQ (o H deste mantra é suspirado), a Verdade, o nome da luz da Essência de Allah – e em seguida o quinto Nome, HAYY – a vida divina, eterna, da qual toda a vida temporal deriva.

Então ele acrescenta o divino Nome da Existência Eterna com o sexto Nome – QAYYUM, a Auto-existência, Aquele peregrinacion-a-la-mecado qual toda a existência depende. Isto conduz o peregrino ao Muzdalifa do centro do coração. Neste momento ele é conduzido à Mina (o Poço sagrado) do “segredo sagrado”, a essência, onde recita o sétimo Nome – QAHHAR, Ele Quem derrota a tudo, o Dominador.

Com o poder daquele Nome o ego e o egoísmo são sacrificados. Os véus da descrença são afastados e as portas da ilusão  desaparecem. Acerca dos véus que separam a criatura do Criador, o Profeta disse : “Fé e descrença existem num lugar fora do Trono de Allah. Existem véus separando o Senhor da vista de Seus servos. Um é negro e o outro branco.” Então a cabeça do espírito santo é raspada de todos os atributos materiais.

Recitando o oitavo Nome divino, WAHHAB – o Doador de Tudo, sem limites, sem restrições – ele entra no local sagrado da Essência. Lá ele recita o nono Nome – FATTAH, Aquele que Abre tudo o que está fechado. Entrando no local da assiduidade onde fica em retiro, próximo a Allah, em intimidade com Ele e afastado de tudo o mais, ele recita o décimo nome, WAHID – Allah o Único, Aquele que não tem igual, ninguém é como Ele.

Lá começa a perceber a manifestação do atributo Samad – o Absoluto, o Eterno. Ele vê o início deste inesgotável tesouro. É um espetáculo sem corpo ou forma, semelhante a nada conhecido. Então a última volta tem início: sete voltas durante as quais ele recita os últimos seis Nomes e a adiciona o décimo primeiro Nome, AHAD – O Uno. Então ele bebe das mãos de Allah.

E seu Senhor lhes saciará a sede com uma bebida pura. (surata Al-Insan – “O Homem”, cap. 21) A taça na qual esta bebida é oferecida é o décimo segundo Nome divino, SAMAD – o Absoluto, o Eterno, o Capaz de Satisfazer todas as necessidades, o Único Recurso. Ao beber deste “Princípio Absoluto” ele vê todos os véus sendo erguidos da Eterna Face. Pode ver através deles, pela luz que vem deles.

Este mundo não tem semelhança, corpo ou forma. É indescritível, inassociável, aquele mundo “que nenhum olho viu, nenhum ouvido pode ouvir sua descrição e nenhum coração humano pode relembrar”. As palavras de Allah não são ouvidas pelo som ou vistas como as palavras escritas. O deleite que nenhum coração humano pode experimentar é o deleite de enxergar a verdade de Allah Altíssimo, e ouvir Sua fala.

Após a Peregrinação tudo que está errado transforma-se em certo. Durante a Peregrinação tudo o que é ilegal é transformado em legal, e tudo isso está dentro da unidade alcançada, que é contínua. Allah diz: Salvo aqueles que se arrependerem, crerem e praticarem o bem; a estes, Alláh computará as más ações como boas, porque Allah é Indulgente, Misericordiosíssimo. (surata Al-Furcan – “O Discernimento”, cap. 70). Então, aquele peregrino estará livre de todas as suas ações e livre do temor e da dor.

Allah diz: Não é, acaso, certo que os diletos de Allah jamais serão presas do temor, nem se atribularão? (surata Yunis – “Jonas”, cap. 62). Finalmente, a volta de despedida é realizada com a recitação de todos os Nomes divinos. Então o peregrino retorna para casa, a casa de sua origem, aquela terra santa onde Allah criou o homem como o melhor e mais bonito modelo. Na volta ele recita o décimo segundo Nome divino, SAMAD – o Absoluto, o Eterno, o tesouro do qual todas as necessidades da criação são satisfeitas.

Esse é o mundo da proximidade de Allah, onde fica a casa do peregrino interior, para onde ele retorna. Isto é tudo o que pode ser explicado, tudo o que a língua pode dizer e a mente pode entender. Além disso, nenhuma notícia pode ser dada, mais além está o indescritível, o impercebível, o inconcebível.

Como o Profeta disse: “Existe um conhecimento que permanece intacto como um tesouro enterrado. Ninguém pode conhecê-lo e ninguém pode encontrá-lo exceto aqueles que receberam o conhecimento divino”. E os sinceros, quando ouvem sobre a existência de tal conhecimento, não o negam. Os homens de conhecimento ordinário juntam o que podem reunir da superfície.

Aqueles que possuem a sabedoria divina, recolhem das profundezas. A sabedoria do sensato é o verdadeiro segredo de Allah Altíssimo. Ninguém conhece o que Ele conhece além Dele mesmo. Allah diz: Ele conhece tanto o passado como o futuro, e eles (humanos) nada conhecem de Sua ciência, senão o que Ele permite. (surata Al-Bácara – “A Vaca”, cap. 255).

Aqueles abençoados com quem Ele divide Seu conhecimento são Seus Profetas e Seus amados que se esforçam para estar perto Dele. Ele conhece o que é secreto e ainda o mais oculto. (surata Taha ). Allah! Não há mais divindade além d’Ele! Seus são os mais sublimes atributos. (surata Taha )

 

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