Nag-Hammadi

Em 1945, um camponês encontrou, em Nag-Hammadi, uma pequena localidade no Alto Egito, um grande pote de cerâmica contendo 13 livros de papiro encadernados em couro. No total foram descobertos 52 textos.

Após longas investigações, os estudiosos chegaram à conclusão de que os papiros tinham cerca de 1500 anos e eram traduções em copta de manuscritos ainda mais antigos.

As datas dos textos originais estão estimadas entre os anos 50 e 180 da nossa Era. Pensa-se que os manuscritos foram enterrados por volta do século IV, quando, na época da conversão do Imperador Constantino, os bispos católicos passaram ao poder e desencadearam uma campanha, por vezes muito violenta e inescrupulosa, contra as chamadas heresias.

A descoberta destes textos iniciou uma era de pesquisa completamente nova, iluminando as raízes e os primórdios do Cristianismo, que diferem da versão que o poder vigente quis fazer vingar. A maior parte desta literatura é distintamente cristã; porém, alguns textos aproximam-se da tradição judaica e outros das tradições hindu e budista.

No conjunto, tais escrituras apontam para a ideia de que os gnósticos foram dos primeiros e dos verdadeiros cristãos, encontrando-se entre aqueles que melhor compreenderam a mensagem mais profunda do Senhor.

Tendo em conta a importância dos Essénios e grupos semelhantes na formação do Cristianismo Primitivo, importa referir que Helena Blavatsky, no Vol. III da sua obra “Ísis sem Véu”, sugere que os gnósticos seriam os essénios: quando estes últimos desapareceram, os gnósticos surgiram e afirmaram a sua doutrina.

Assim, o Gnosticismo deverá ser entendido como um penetrar na face oculta do Cristianismo, compreendendo, não só mas também, os ensinamentos destinados àqueles espiritualmente amadurecidos e capazes de penetrarem nos Mistérios.

Num dos seus mais maravilhososmaxresdefault livros, o “Cristianismo Esotérico”, Annie Besant declara que, tal como todas as tradições religiosas, o Cristianismo tem um lado secreto destinado apenas a alguns, pois “as religiões são dadas ao mundo por homens mais sábios que as massas que as recebem.

São destinadas a acelerar a evolução humana, e a sua ação, para ser efetiva, deve atingir e influenciar individualmente os homens.

Ora, nem todos os homens alcançaram o mesmo grau de evolução (…). É, portanto, inútil querer dar a todos o mesmo ensinamento religioso. A religião deve ser graduada como a própria evolução, senão jamais atingirá o seu fim”.   As próprias palavras do Mestre são claras e explícitas: “E quando se achou só, os que estavam junto dele com os doze apóstolos o interrogaram acerca do sentido desta parábola.

Ele disse-lhes: “A vós é dado a conhecer os mistérios do reino de Deus mas, para os que estão de fora, todas estas coisas se dizem por parábolas”. “Assim, lhes anunciava a palavra por muitas parábolas semelhantes, conforme os que eram capazes de ouvir. Ele não lhes falava senão por parábolas, mas quando estava em particular, explicava tudo aos seus discípulos”.  Alguns dos próprios padres da Igreja haviam eles mesmo reconhecido a existência de uma doutrina oculta.

São Clemente de Alexandria escreveu que “o Senhor permitiu que participassem desses Mistérios divinos os que fossem capazes de recebê-los. Certamente Ele não revelou aos muitos o que aos muitos não pertencia, mas sim aos poucos a quem sabia que pertenciam, os que eram capazes de recebê-los e de serem moldados de acordo com eles.”

Assim, enquanto os ortodoxos dependiam exclusivamente dos ensinamentos públicos e exotéricos que Cristo e os Apóstolos proporcionavam a muitos, a maior parte dos cristãos gnósticos possuíam o seu conhecimento secreto, conhecido somente por poucos. Note-se que os gnósticos aqui retratados não se referem a nenhum dos modernos movimentos autodenominados gnósticos mas, sim, a homens profundamente sábios como Valentim, Basílides, Marcion e Simão, o Mago, entre outros.

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