A Mulher

Hypatia
Mulher, pequena palavra que encerra grandes mistérios.
“ Ísis, nullus mortalium extulit velum ”

O homem é diferente da mulher, desde que Deus os criou. Na Criação, a força masculina complementa a feminina, mas são diferentes. O princípio masculino é o polo projetivo, o que dá. Enquanto o princípio feminino é o polo receptivo, o que cuida, a coluna do templo.

“Deus como homem é Sabedoria e Deus como mulher é amor…”

Na história, através das eras, existiram tantas mulheres tão valentes e admiráveis, tantos homens tão grandiosos e por detrás de cada um há uma grande mulher. Mas, muitas vezes, pelo seu próprio papel feminino, a história não as conheceu.

As culturas sempre foram fálicas e, portanto, há Patriarcas e não Matriarcas, embora tenhamos visto de tudo na história, mas isto é o natural, seguindo o padrão divino de que o papel masculino é o que dá a cara à sociedade, enquanto a mulher é a que por trás ou de dentro o anima ou lhe dá vida, como a Mãe que leva o menino na escuridão do seu ventre.

ankhesenamonNão estava Ankhesenamon unida a Tutankhamon? Não estava Serafina caladamente por trás do grande Cagliostro? Não estava Theano por trás do Mestre Pitágoras? Não estava Yashodhara por trás do grande Buda? E Zípora por trás de Moisés? E Sara por trás de Abraão?

Talvez por natureza, a mulher traz inato o sentido do sacrifício. O normal é ver uma mãe amando seus filhos, cuidando deles, dando a vida por eles, se necessário. Mas este atuar inato deveria se estender não só aos filhos, mas a toda a humanidade.

Exemplo disso é o atuar das grandes mulheres que sem fazer ruído trabalham incansavelmente. Lutadoras que no campo de batalha nunca deram ou nunca dão um passo atrás. Mulheres que, como grandes mártires, caladas, converteram-se em fontes de sabedoria e em verdadeiras representantes do eterno e divino feminino.

De repente retumbam dos tempos nomes de mulheres maravilhosas como Nefertiti, Nefertari, a princesa egípcia Mutemuia, Tiyi (esposa de Ramsés III), a Sibila de Cumas, a Rainha Kunti (tia de Krishna), Sarasvati e Nichdali (discípulas de Krishna), a Rainha de Sabá, Serafina, Prisca, Maximilla, Flora, Fátima, Santa Luzia, Blavatsky, Maria Antonieta, Maria das Antilhas, Santa Úrsula, Marcelina, Maria Pastora, Santa Birgitta, a princesa tibetana Yeshe Tsogyel (esposa de Padmasambhava), Maria a Profetisa, Teoclea (discípula de Pitágoras), a grandiosa pitonisa do Oráculo de Delfos chamada Divinus, a rainha Syamavati e sua criada Uttara (ambas discípulas de Buda).

Nos Evangelhos Apócrifos, por exemplo, temos os ensinamentos de várias mulheres como Salomé, Marta, Maria, Eva, e a própria Maria Madalena. E desde a antiguidade o rumor das vestais egípcias, sibilas de Eritréia, dakinis tibetanas, heteras gregas, magas astecas, sacerdotisas do Japão, hierofantinas do Oriente Médio, etc.

“ Não existe distinção entre o homem e a mulher na busca do Caminho da Iluminação. Mesmo sendo uma mulher, se decide buscar a iluminação chegará a ser uma mulher heroica no Caminho da Verdade. O verdadeiro significado da vida familiar está em ir pelo Caminho ajudando-se mutuamente.”

Abaixo seguem, através de alguns fragmentos históricos, os nomes de algumas mulheres que se sobressaíram no mundo do saber e do conhecimento:

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A filosofia islâmica começa com uma tradição que se chama A Falasifa, mas que era na realidade uma mulher sábia. Talvez sua identidade tenha sido escondida devido a más interpretações que foram dadas ao Corão e que se pensou que a mulher não tem valor como o homem.

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Shammuramat, nascida na Assíria, no século 9 antes de Cristo, Shammuramat foi uma mulher excepcionalmente forte e poderosa, a tal ponto que costumava acompanhar seu marido ao campo de guerra e participar com ele nas lutas corpo a corpo, ajudando assim a conquistar e expandir o controle da Babilônia sobre o resto dos países vizinhos. Dizem que a ela pertence o restabelecimento da beleza da capital da Babilônia, chamada então Babilón, depois de seu primeiro ataque.

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Temistoclea. Fontes muito antigas de informações históricas apontam a mulher tendo um papel central e importante no desenvolvimento dos conhecimentos pitagóricos, em geral. Sabe-se que Pitágoras adquiriu a maior parte dos seus conhecimentos éticos e doutrinários de Themistoclea, imperatriz de Delfos. Muitas das frases textuais de Pitágoras provinham diretamente dela.

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Theano de Crotona, esposa de Pitágoras. Com este matrimônio Pitágoras estampou o selo de realização na sua obra. Ela foi membro, conjuntamente com seus três filhos, do culto pitagórico original. Existe um documento atribuído a Theano de Crotona, o qual discorre sobre tópicos metafísicos muito profundos. Também escreveu um grande número de livros sobre os temas de: O Matrimônio, O Sexo, A Mulher e de Ética superior. Quando Pitágoras morreu, ela serviu de centro à ordem pitagórica. Um autor grego cita como uma autoridade sua opinião sobre a doutrina dos Números.

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Diotima de Mantinea. Esta notável mulher do saber foi uma das Mestras diretas de Pitágoras, que aprendeu aos pés de seu imenso conhecimento sobre as Doutrinas Secretas. Grande filósofa. No Diálogo do Banquete ou do Amor de Platão é mencionada e Sócrates diz dever a ela tudo o que sabe.

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Aspásia de Mileto. Foi uma grande e influente mulher intelectual, ativa nos círculos da política e da filosofia, durante o tempo do filósofo Platão. Esteve intimamente relacionada ao círculo filosófico de Péricles. Este último, poderoso e popular líder de Atenas, ficou impressionado pela profundidade e integridade desta mulher, que veio a ser sua esposa. Aspásia era alguém com um profundo conhecimento político. Os filósofos da época a denominaram “brilhante e renomeada ministra da eloquência”. O próprio Sócrates visitava tal mulher tanto quanto podia para aprender com ela a ciência da Retórica.

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Asclepigênia de Atenas. Foi uma grande teurga, contemporânea de Hipátia de Alexandria. Concentrou-se em aprender e compreender os princípios secretos que governam o universo. Afirmou que seus conhecimentos provinham principalmente do filósofo Platão. A história sabe que foi sem dúvida uma grande mística.

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Aesara de Lucania. Esta grande mulher foi parte dos últimos grupos filosóficos puros nascidos de Pitágoras. Viveu mais ou menos por volta dos anos 425 d.C. Interessou-se mais que tudo em desenvolver os princípios da Harmonia Cósmica, que incluem: a Geometria, a Aritmética, a Música e o Cosmos. Tudo isto baseado em grandes princípios éticos de fundo. Aesara disse algo muito interessante: “Analisando a natureza da alma, podemos chegar a saber qual é a correta justiça individual, familiar e social”.

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Arete de Cyrene. Foi a irmã de Aristipo, estudante e amigo de Sócrates. Aristipo foi o amigo que a história registra como presente no dia do funeral de Sócrates. Ele fundou a Escola Cyrenaica em Cyrene, a qual mais tarde foi liderada pela própria Arete de Cyrene. Ensinou filosofia por mais de 30 anos e escreveu 40 livros a respeito. Entre seus discípulos, encontramos nada menos que 110 dos mais famosos filósofos da história grega. Esta mulher era considerada tão importante que, quando chegou a hora de sua morte, grande número de pessoas que lhe queriam muito por seu legado gravaram em sua tumba o seguinte: “Foste o Esplendor da Grécia, possuíste a Beleza de Helena, as virtudes de Thirma, a Pluma de Aristipo, a Alma de Sócrates e o Verbo de Homero”.

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Maria Madalena. A tradição oral identifica Maria Madalena como uma prostituta que vê Jesus, chora aos seus pés, lava-os com suas lágrimas, seca-os com seu cabelo e quebra uma vasilha de alabastro para perfumá-lo. No entanto, Maria Madalena não foi prostituta. Essa é uma imagem desvirtuada que passou através da história por interesses de religiões que defendiam o celibato. Mas, sim, é verdade que Jesus extraiu dela os sete pecados capitais e Maria Madalena foi se iluminando, permanecendo em vida entre os apóstolos. Tinha o Mestre Jesus, tanto carinho e amor por ela, e por isso ela aparece na Crucificação e quando entra ali, entre as pessoas, os soldados romanos dizem: “Que entrem os familiares para contemplar Jesus”. E entram Maria, os Apóstolos e Madalena. Então os soldados dizem: “E quem é esta?”. E Maria, a mãe de Jesus, diz: “Ela também é da família”. Os evangelhos, tanto de Marcos como de João, nomeiam Maria Madalena como primeira testemunha da Ressurreição, vendo ela o Cristo ressuscitado pela manhã, e não mais tarde quando apareceu aos outros discípulos. Maria Madalena é o símbolo do arrependimento espiritual mais absoluto. Exemplo de humildade e de regeneração feminina no mais completo sentido da palavra. Exemplo para toda mulher, pois no fundo, todas as mulheres possuem dentro de si uma Maria Madalena que algum dia deverá sentir que morre de arrependimento e dali sairá a mulher verdadeira, a digna representante do eterno e divino feminino. Maria Madalena é a pecadora arrependida, a mulher tão indispensável para a Grande Obra. “Em verdade, em verdade vos digo que primeiro poderia faltar a luz na Terra antes de faltar uma Maria Madalena junto a um grande Iniciado.”

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Hipatía de Alexandria. Grande filósofa de seu tempo, Hipatía conseguiu sobreviver e prosperar em seus estudos e ensinamentos. Mas finalmente sua sabedoria fez-se insuportável para os interesses opostos que sempre apagam as velas neste mundo. Assim, um grupo de monges, cumprindo os desejos do bispo de Alexandria, arrastou-a até o interior de uma igreja. Aí, com conchas de ostra, arrancaram sua carne e queimaram seus ossos. Este foi o início do agressivo antipaganismo que mais tarde provocou o incêndio da grande biblioteca da Alexandria. Hipatía foi uma mulher de força incomparável que parecia não temer nada. Teve a coragem de entregar a Sabedoria Antiga no meio de um mundo intelectual nascente e não lhe importou que isso tirasse a sua vida.

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Santa Bernadete nasceu em 7 de janeiro de 1844 no pequeno povoado de Lourdes, nas formosas montanhas dos Pirineus franceses. Em seu batismo puseram-lhe o nome de Marie-Bernard, mas desde pequena a chamavam pelo diminutivo “Bernadete”. Foi profundamente religiosa, exemplo de humildade, sacrifício e confiança em Deus. Em épocas de tribulação e tristeza, Bernadete costumava dizer: ”Quando a emoção é demasiado forte, recordo as palavras de nosso Senhor, ‘Sou Eu, não tenham medo’. Então, imediatamente agradeço a rejeição e humilhações de minhas Superioras e companheiras por esta grande graça. É o amor do Bom Mestre o que fará desaparecer a árvore do orgulho em suas más raízes. Quanto menor me faço, mais cresço no Coração de Deus”.

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Luisa Oliva Sabuco de Nantes. Foi uma das maiores escritoras do Século XVI. Baseou sua filosofia da natureza humana, em cosmologias medievais. Estas sustentam que os seres humanos são Microcosmos dentro de um Macrocosmos, fundamentando-se nos mais relevantes filósofos da antiguidade. Foi profundamente ciente da ciência médica e estudos anatômicos de seu tempo.

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Santa Teresa de Jesus teve visões como as que guiavam Joana d’Arc e aparições como as de Bernadete. No caminho interior, elas eram impulsionadas a sacrificarem-se pela humanidade para poder converter sua natureza em divina. Sempre lutando por uma causa nobre, o fruto de seu trabalho garantiu a reforma do Carmelo e de estabelecimentos religiosos com verdadeiros fundamentos místicos e divinos.

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Marie Le Jars de Gournay. Na França, esta notável mulher escreveu uma obra sobre filosofia moral, adiantando-se completamente ao seu tempo, já que até então tal forma de pensar era considerada heresia. É uma das primeiras mulheres a reivindicar o fato de que homens e mulheres têm um posto concreto na vida, e que não são nem melhores nem piores, mas complementares.

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Jeanne Marie Bouvier De La Motte-Guyon. No Século XVII, a mística francesa Jeanne Marie foi conhecida com o nome de “Madame Guyon”. Viúva aos 28 anos de idade, começa a predicar sua filosofia do misticismo no sul da França. Introduziu a doutrina da contemplação, trazida do oriente ao ocidente. Esta forma de adoração contemplativa tentava, sobretudo, retirar a mente das coisas materiais e concentrá-la no divino. Suas ideias acenderam a ira do Arcebispo de Paris, que a encarcerou em 1688 por um ano, sendo libertada graças à influência da mulher do Rei. Foi novamente posta no cárcere em 1695 por causa dos seus trabalhos escritos, e foi mantida prisioneira por oito longos anos. Quando foi libertada, exigiram-lhe como condição que fosse embora de Paris. Apesar de todo o ocorrido, seguiu adiante com sua doutrina até o final dos seus dias.

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Hipárquia de Maronea, Trácia. Mulher sábia e filósofa da época posterior a Aristóteles. Foi uma filósofa cínica da Grécia Antiga, esposa de Crates de Tebas, que viveu em torno de 325 a.C.. É famosa por ter vivido uma vida de pobreza cínica, em igualdade de condições com o marido nas ruas de Atenas

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Perctione. Escreveu um livro intitulado “Sobre a Harmonia da Mulher”, o mesmo que desvelava a sabedoria e os conhecimentos das Sacerdotisas antigas.

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Helena Petrovna Blavatsky. foi uma prolífica escritora russa, responsável pela sistematização da moderna Teosofia e cofundadora da Sociedade Teosofica. Teve a missão de trazer o conhecimento do oriente para o ocidente, explicando a sabedoria antiga de uma maneira mais intelectual.

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Catherine de Siena. Foi considerada a maior mística italiana. Envolveu-se profundamente nas questões renascentistas da igreja e da política, tratando de melhorar a situação de decadência que naqueles tempos já se via. Pôs-se com tudo isto em grave perigo de morte. Tudo quanto ela dizia em seus discursos estava consideravelmente baseado em um saber que raiava o oculto. Foi sempre considerada uma grande filósofa dentro da tradição mística cristã. Devido ao seu empenho e integridade, muitos foram seus seguidores

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Hildegard Von Bingen. Esta mulher foi uma das mais prolíficas compositoras de músicas da Época Medieval. Nasceu em uma família nobre, na Alemanha, em 1179. Pregava o Sagrado e experimentou visões profundas do divino desde que era uma menina de três anos. Foi versada no conhecimento das ervas medicinais, no ensino, na organização de monastérios, estudos, escritos, iluminações, manuscritos secretos, composições várias, etc. Escreveu valiosíssimos manuscritos sobre as relações humanas e a forma como alguém pode se entender melhor com o próximo. Do mesmo modo foi uma inquieta pesquisadora de tudo que passou por sua vida.

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