Os Essênios

EsseniosOs essênios eram uma seita hebraica antiga, com grandes conhecimentos arcaicos e habitavam nas costas do Mar Morto. Constituíam uma comunidade místico-religiosa formada por iniciados nos mistérios da religião hebraica.

Julgavam-se detentores do verdadeiro conhecimento religioso, aquela sabedoria que Deus comunicara aos primeiros homens e que desaparecera da terra após o dilúvio.

Muitos escritores de orientação esotérica os fazem herdeiros dos atlantes, atribuindo-lhes diversos conhecimentos iniciáticos, da mesma forma que aos egípcios.

Duas das tradições legadas pelos essênios, e aproveitadas no simbolismo maçônico, são a ideia do Homem Universal e o mistério ligado ao verdadeiro significado do Nome de Deus.

Tanto a mística do Filho de Deus que se faz Filho do Homem para redimir a humanidade pecadora, quanto o poder que se encerra no Inefável Nome de Deus são tradições amplamente cultivadas pela doutrina essênia e repassada a tradição da Cabala.

Na Maçonaria esse simbolismo é utilizado para desenvolver os ensinamentos das Lojas de Perfeição e Capitulares, bem como certos graus filosóficos das Lojas do Kadosh.

Entre os judeus, os essênios eram considerados uma espécie de sociedade secreta, de cunho religioso, cujos membros discordavam da orientação imprimida á sua religião.

Formando uma verdadeira Fraternidade, eles se afastaram do convívio social e desenvolveram uma espécie muito particular de comunidade, que na verdade, tinha um objetivo bem definido:

  • preparar uma nova comunidade de eleitos de Deus, que seria a herdeira da Nova Aliança, quando o Messias viesse ao mundo.

Nesse sentido, eles desenvolveram um complexo sistema religioso de cerimônias de iniciação, semelhante ás das seitas iniciáticas antigas. Exigiam juramentos solenes de obrigações fraternas e um estrito silêncio sobre suas práticas, crenças e tradições.

Pesquisas recentes sobre os documentos essênios encontrados em Qumrân, próximo ao Mar Morto, em 1948, revelaram que suas doutrinas tinham uma grande semelhança com aquelas pregadas por Jesus, o que levou muito autores a considerá-los como antecessores dos cristãos.

A ideia que se fazia dos essênios, a partir de informações extraídas de escritores gnósticos antigos, como Philo de Alexandria, por exemplo, que já no século I da era cristã confessava a influência que deles teria recebido, era a de que eles constituíam uma comunidade de magos, grandes conhecedores dos segredos da natureza, possuidores de uma sabedoria milenar, oriunda de uma civilizações já desaparecidas, como o a Atlântida e a Lemuria.

Os essênios sempre foram envolvidos por uma aura de misticismo e mistério, mas a descoberta dos pergaminhos do Mar Morto, uma nova luz foi lançada sobre essa interessante Fraternidade, que essenios-fragmentossobreviveu por mais de dois séculos em condições políticas muito adversas.

É evidente que qualquer comparação, qualquer analogia que se faça entre a comunidade essênia e a Maçonaria deve levar em conta as culturas em que elas se desenvolveram e suas respectivas épocas.

Essa comparação deve ser feita a nível de objetivos e procedimentos, relevando-se as aproximações sem observar as diferenças, que são notórias.

Talvez a melhor fórmula para se fazer essa aproximação seja a observação de que os essênios conservaram em sua doutrina e sua prática de vida a essência da tradição iniciática dos sacerdotes egípcios, dos hierofantes gregos, e das comunidades místicas da Pérsia e da Mesopotâmea.

Aproximando e adaptando a tradição hebraica á essas antigas formas de desenvolvimento espiritual, eles criaram uma nova cultura, protegendo e desenvolvendo a face mística e esotérica, contida naquelas antigas tradições, legando aos gnósticos cristãos, seus sucessores, o que de melhor havia na religião daqueles antigos povos.

Jesus- 0k-1Para se tornar membro dela era preciso que o neófito fosse portador de três atributos básicos: ser israelita, inteligente e disciplinado. Exigia-se do candidato um juramento para com a Irmandade e para consigo mesmo, no qual ele se comprometia a submeter-se a disciplina da Ordem, e a perseguir os objetivos pelos quais se tornara membro dela.

Em principio, o iniciado deveria viver na comunidade durante um ano antes de tornar-se membro efetivo. Após esse período, ele se tornava um “numeroso ou sectário pleno”, ocasião em que deveria juntar seus bens aos da comunidade.

O objetivo da comunidade era não só preservar a pureza dos fundamentos da religião israelita, mas principalmente preparar um Messias, um líder que fosse capaz de libertar o povo de Israel da influência estrangeira e reconstituir depois, o reino de Deus sobre a terra.

Na infância, e até os 20 anos, o iniciado era instruído no Livro da Meditação e nos Preceitos da Aliança; a partir dos 20 anos, passava a viver na Comunidade dos Irmãos e podia casar-se. A partir dos 25 anos poderia ocupar cargo na Congregação; com 30, ser juiz e liderar grupos.

Todo esse processo era realizado mediante uma análise de mérito, onde se avaliava a “inteligência e perfeição de conduta” do iniciado, pois como previam as Regras, todos os homens estavam sendo treinados para formar a elite que governaria o reino que seria instalado pelo Messias.

Eram ascetas que desprezavam os prazeres dos sentidos e a acumulação de bens. O tesouro comum só devia ser utilizado para prover as necessidades mais estritas. Estudavam e cultuavam a fundo a lei mosaica.

Para os essênios, a Gnose divina que Jeová revelara á Moisés não fora exposta nos cinco livros do Pentateuco. Era uma sabedoria secreta que consistia no conhecimento do Nome Verdadeiro de Deus, na prática do direito justo, e no aprendizado dos comportamentos necessários para se atingir a perfeição.

É originária dos essênios, a ideia de que é preciso a formação de um Homem Universal, reflexo terrestre do Homem do Céu, perfeito em conhecimento e obras, pleno de virtude e em harmonia com Deus, pois que ele é o herdeiro da Nova Aliança.

Os Essênios, antes de tudo, foram Sábios no sentido mais completo da palavra. Conheceram a Sabedoria Antiga e dedicaram-se a trabalhar sobre si mesmos (do ponto de vista psicológico), logrando grandes transformações dentro do psicossomático, do Místico-Sensorial e também dentro do Transcendental.

qunramOs “Manuscritos do Mar Morto” citam o MESTRE DA RETIDÃO, existente uns cinco séculos antes do Mestre Jesus, o qual em cátedras anteriores, foi confundido pelo Mestre da Retidão (citado pelos Essênios) com o Jesus histórico, o Grande Kabir.

Importante, ademais, entender que o MESTRE DA RETIDÃO citado pelos Essênios, não é propriamente histórico no sentido concreto da palavra, mas sim como um  protótipo psicológico individual do ser humano.

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