O Ovo e a Páscoa

De onde provém este símbolo Universal? O Ovo figurou como o signo sagrado nas cosmogonias de todos os povos da Terra e foi Venerado tanto por causa de sua forma como pelo mistério que encerra. Desde a primeiras concepções mentais do homem, foi considerado o símbolo  que melhor representara a origem e o segredo do ser. O desenvolvimento progressivo do germe  imperceptível dentro da casca; o trabalho interno que, sem a intervenção de nenhuma força externa aparente, de um nada latente, produz algo ativo, sem para isso necessitar de outra coisa além de calor; algo que, depois de evolucionar gradualmente em uma criatura viva e concreta, rompe a casca e aparece aos sentidos externos de todos como um ser gerado por si mesmo e por si mesmo criado; tudo isso tinha de ser, desde o começo, um milagre permanente. O ensinamento secreto explica a razão daquela veneração pelo simbolismo das raças pré-históricas. No princípio a “Causa Primeira” não tinha nome. Mais tarde, a fantasia dos pensadores a representou como uma Ave, sempre invisível e misteriosa, que deixou cair um Ovo no Caos, Ovo que se converteu no Universo. Eis que Brahmâ foi chamado Kâlahamsa, “o cisne no espaço e no Tempo”. Tornando-se o cisne da Eternidade”, Brahmâ pôs, no início de cada Mahâmvantara, um “Ovo de Ouro”, que simboliza o grande Círculo, ou O, que por sua vez é símbolo do universo de seus corpos esféricos. A segunda razão pela qual o ovo foi escolhido como a representação simbólica do Universo e de nossa Terra está na sua forma. É um círculo e uma Esfera, e a forma ovoide do nosso globo já devia ser conhecida desde quando surgiu o simbolismo, para que o signo do OVO fosse tão universalmente adotado. A primeira manifestação do Kosmos com a forma do um ovo era a crença mais difundida da Antiguidade. Era um símbolo usado entre os gregos, os sírios, os persas, os egípcios. Entre os gregos, o Ovo Órfico fazia parte dos mistérios dionisíacos e de outros, durante os quais era consagrado o Ovo do Mundo e explicada a sua significação. Porfírio também o apresenta como uma representação do mundo. Na Grécia, como na Índia, o primeiro ser masculino visível, que reunia em si mesmo a natureza dos dois sexos, habitou o ovo e dele saiu. Esse “primogênito do mundo“, segundo alguns gregos foi Dionísio, o deus que surgiu do ovo do mundo e do qual provém os mortais e os imortais.

Considerando essa Forma circular. o “|” saindo do “O” ou OVO, ou o macho da fêmea no andrógino, o 10, sendo o número sagrado do Universo, era secreto e esotérico, tanto em relação à unidade quanto em relação ao zero, o círculo. O simbolismo das Divindades lunares e solares se acha de tal modo entrelaçado que é quase impossível separar os signos de umas e outras, como o ovo, o lótus e os animais “sagrados”. A Íbis, por exemplo, era objeto de grande veneração no Egito. Era consagrada a Ísis, representada muitas vezes com a cabeça desse pássaro, e também a Mercúrio ou Thot, que se diz haver tomado sua forma quando escapou de Tífon. Havia duas espécies de Íbis no Egito, conta Heródoto: uma inteiramente negra, e a outra preta com branca. Dizia-se que a primeira combatia e exterminava as serpentes aladas que vinham da Arábia na primavera e infestavam o pais. A outra era consagrada à lua, porque esse astro é branco e brilhante em seu lado externo e negro e escuro do lado que nunca mostra a Terra. Além disso, a Íbis mata as serpentes da terra e destrói quantidades imensas de ovos de Crocodilo livrando assim o Egito de ter o Nilo infestado por esses horríveis saurios. Supõe-se que o pássaro execute sua tarefa sob a claridade da lua, sendo assim ajudado por Ísis, cujo símbolo sideral é a lua. Mas a verdade esotérica, que se esconde por trás dos mitos populares, é que Hermes velava sobre os egípcios na forma daquele pássaro lhes ensinando as artes e as ciências ocultas. Quer isso dizer que a Íbis religiosa tinha — e tem — propriedades “mágicas“, como muitas outras aves, sobretudo o albatroz e o mítico cisne branco, o cisne da Eternidade ou do Tempo, o Kâlahamsa.

Se assim não fosse, por que aquele temor supersticioso dos antigos, que não eram mais tolos do que nós, de matar certas aves? No Egito, quem matasse uma Íbis ou um falcão dourado, símbolo do Sol e de Osíris, arriscava-se à morte e dificilmente conseguia escapar. A veneração das aves por alguns povos era tamanha que Zoroastro, em seus preceitos, proibiu a destruição delas, por considerar isso um crime hediondo. Mas os próprios cristãos tem, ainda hoje, as suas aves sagradas: por exemplo, a pomba, símbolo do Espírito Santo. Nem tampouco esqueceram os animais sagrados, e a zoolatría bíblica evangélica, com seu Touro, a sua Águia, o seu Leão, o seu Anjo (que não é senão o querubim ou serafim, a serpente de fogo alada), é tão pagã como a dos egípcios ou a dos caldeus. Esses quatro animais, em verdade, são os símbolos dos quatro elementos e dos quatro princípios do homem. Contudo, corresponde também, física e materialmente, as quatro constelações que formam, por assim dizer, o séquito ou cortejo do Deus Solar e que, durante o solstício de inverno, ocupam os quatro pontos cardeais do circulo zodiacal. São os animais do Mercabah do Profeta Ezequiel.

É fato que os antigos hierofantes combinaram tão habilmente os dogmas e símbolos de suas filosofias religiosas que não é possível explicá-los de maneira cabal e satisfatória senão mediante o emprego e o conhecimento de todas as chaves.  Só aproximadamente podem ser interpretados, ainda quando se cheguem a descobrir três dos sete sistemas, a saber: o antropológico, o psíquico e o astronômico. As duas principais interpretações, a mais elevada e a inferior, a espiritual e a fisiológica, foram conservadas no maior sigilo até que a última caiu no domínio dos profanos. No livro dos Mortos alude-se frequentemente ao Ovo. , o poderoso, permanece em seu Ovo durante a luta entre os “filhos da rebelião” e Shu (a Energia Solar e o Dragão das Trevas). O defunto resplandece em seu Ovo quando faz a travessia para o país do mistério. É o Ovo de Seb. O Ovo era o símbolo da vida na imortalidade e na eternidade, e também o signo da matriz geradora; ao passo que o tau, que lhe estava associado, era só o símbolo da vida e do nascimento na geração. O Ovo do Mundo estava colocado em Khum, a “Água do Espaço” ou o princípio feminino abstrato; e quando Ptah, o “deus solar”, levava na mão o Ovo do Mundo, o simbolismo torna-se inteiramente terrestre e concreto em sua significação.

Com o falcão, signo de Osiris-Sol, o símbolo é dual, referindo-se a ambas as vidas: a mortal e a imortal. Em um papiro reproduzido no Oedipus Aegyptiacus de Kircher, ve-se um ovo flutuando sobre a múmia. É símbolo da esperança e a promessa de um segundo nascimento para o morto Osirificado; sua alma, após a devida purificação no Amenti, cumprirá seu período de gestação nesse ovo da imortalidade para dele renascer em uma nova vida sobre a Terra. Esse Ovo é, segundo a doutrina esotérica, o Devachan, a mansão da felicidade. O escaravelho alado é outro símbolo de idêntica significação. O “globo alado” não é senão outra forma do ovo, com o mesmo significado do escaravelho. Nos Hinos Orficos, Eros-Phanes surge do Ovo divino, que se impregna dos Ventos Aethéreos, sendo o centro “o Espírito de Deus“, ou melhor, “o Espírito das Trevas desconhecidas” – a “ideia” divina, diz Platão, “que se presume mover o Aether“.

Há muitas alegorias encantadoras sobre o assunto, esparsas nos livros sagrados brâmanes. Em uma delas, é o criador feminino quem é primeiro um germe, depois uma gota de orvalho celeste, uma pérola e finalmente um ovo. Em tais casos, o ovo da origem aos quatro elementos dentro do quinto, o Éter, e está coberto por sete envoltórios, que mais tarde se convertem nos sete mundos superiores e nos sete mundos inferiores. Partindo-se em duas, a casca forma o céu e o conteúdo, a terra, sendo a clara as águas terrestres. O ovo era consagrado a Ísis, e por isso os sacerdotes do Egito jamais comiam ovos. Os chineses acreditavam que o seu primeiro homem nasceu de um ovo, que o Deus Tien deixou cair do céu nas águas da Terra. Muitos ainda consideram esse símbolo uma representação da ideia da origem da vida, o que é uma verdade científica, se bem que o ovum humano seja invisível a olho nu.

Dai a razão por que, desde os tempos mais remotos, era o símbolo reverenciado pelo gregos, fenícios, romanos, japoneses e siameses, assim como pelas tribos da América do Norte e do Sul e até pelos selvagens das ilhas mais longincuas. Os Cristãos, especialmente os das igrejas grega e latina, adotaram inteiramente o símbolo e veem nele uma evocação da vida eterna, da salvação e da ressurreição. Há uma confirmação disso no costume tradicional de se presentearem “Ovos de Páscoa“. Desde o anguinum, o “Ovo” do druida pagão, até o Ovo da Páscoa vermelho do camponês eslavo, transcorreu todo um ciclo. E, no entanto, seja na Europa civilizada, seja entre as mais destituídas dentre as tribos selvagens da América Central, encontramos sempre o mesmo pensamento arcaico primitivo, se nos dermos ao trabalho de procurá-lo e se não desfigurarmos a ideia original do símbolo, em consequência do orgulho de nossa pretensa superioridade intelectual e física.

Ateísmo materialista

ateismoA natureza não dá saltos. Assim, o ponto nodular de Hegel não pode significar salto como interpretou Engels, um dos pais do materialismo ateu. Exemplificando: a água ao esquentar ou esfriar tem, na ebulição e congelamento, os pontos nodulares de passagem para um outro estado físico.

Na realidade, esses pontos de ebulição e congelamento representam mudanças ordenadas e metódicas. E toda mudança pode ser de cunho evolutivo ou involutivo. As transformações se realizam em bases exatas e matemáticas e todos os fenômenos estão correlacionados. A transformação recíproca e a mútua alimentação e intercâmbio de substâncias constituem a base da mesma transformação. Por exemplo, as ações de sensação são provocadas pelas ações de estímulo; estímulo e sensação estão intimamente associados.

Existem forças reprimidas e forças livres; devemos distinguir as forças libertadores das forças libertadas. Há uma grande diferença entre a libertação de uma força e sua transformação em outra. Quando uma força libera outra, a quantidade de força livre muda ordenadamente. A força livre de um estímulo libera as forças reprimidas de um nervo, e essa liberação de força reprimida se realiza em todos e em cada dos pontos do nervo. Assim, a linha nodular Hegeliana existe em toda a Creação, porém, não origina saltos instantâneos como dizem Marx e Engels.

A dialética materialista, que serve de base para a Ciência do Anticristo, está muito distante da crua realidade da vida. O mundo está precisando de uma nova dialética. Vejamos: os fenômenos vitais se transformam em outros fenômenos vitais, multiplicando-se até o infinito; podem também se transformar em fenômenos físicos, dando origem a toda uma série de múltiplas combinações mecânicas e químicas.

Os fenômenos psíquicos, por exemplo, são captados diretamente e possuem uma força potencial imensamente superior à que possuem os fenômenos mecânicos e físicos.

Conhecemos os fenômenos físicos através de nossos sentidos de percepção externa. Podemos ampliar nossa capacidade de percebê-los com aparelhos e instrumentos, como o microscópio, o telescópio e uma série de aparelhos que a Eletrônica já conseguiu fabricar. A Física admite oficialmente a existência de uma série de fenômenos físicos que não foram, ainda, devidamente demonstrados nem por observação nem por experiência. Exemplo: a temperatura zero absoluto.

Por outro lado, muitos fenômenos físicos não são percebidos diretamente e, na realidade, são meras projeções de causa de outros fenômenos ou de supostas causas de nossas sensações. Todo fenômeno físico que significa mudança, é realizado e realizável dentro da lei natural da seleção, e essa reduz a quantidade à qualidade dentro dos conceitos de tempo, espaço e movimento.

O grau de temperatura da água, ao esquentar ou esfriar, é a causa determinante do grau de coesão molecular. Logo, o grau de coesão molecular é a causa do gelo ou do vapor. Outro exemplo: a corrente de eletricidade que acende a lâmpada precisa de um mínimo de energia, porque todo metal tem seu grau de fusão, e todo líquido dentro de uma determinada pressão, seu ponto fixo de congelamento e evaporação. Porém, nisso tudo não existe acaso. A inteligência cósmica faz tudo de acordo com as leis do número, peso e medida.

Por que dizer tudo isso, deve estar se perguntando o leitor. É que estamos tentando demonstrar o quão vazia é nossa ciência e nossos homens de ciência na medida em que eles desconhecem certas sutilezas ou evidências da fenomenologia. Além do mais, cremos que é nosso dever ilustrar bem nossa base dialética para uma nova ciência e um novo homem.

A lei de seleção é básica em Química, em Física e noutras ciências. Se esse princípio estivesse excluído de e em toda mudança, qualquer homem de ciência, ao tentar fabricar Oxigênio, combinaria três átomos de O em vez de dois para formar uma molécula de O.

Nesse caso, inconscientemente, fabricaria Ozônio. Logo, antes de o cientista fabricar uma molécula de Oxigênio, já existia a lei que determina a quantidade de átomos de Oxigênio para fazer uma molécula da mesma substância. Isso quer dizer que o homem não pode excluir a lei de seleção natural.

Os fenômenos físicos estão em contínua transformação. O calor se transforma em luz, a pressão se transforma em movimento, o movimento se transforma em força mecânica, a força mecânica pode ser transformada em trabalho, o trabalho em criação de milhares de coisas, que, por sua vez, terão milhares de aplicações. Nós podemos produzir fenômenos físicos em laboratórios. Podemos, por exemplo, usar Carbono para fazer diamantes. Mas ainda não podemos produzir energia vital com a qual uma célula viva origina uma outra célula viva.

A Ciência ainda não conseguiu produzir protoplasma vivente. A Ciência ainda não pôde criar vida. Os cientistas, hoje, só podem trabalhar, em seus laboratórios, com as criações já existentes na Natureza, e muitas vezes, só a imitam, jamais a igualam. Exemplificando: os espermatozoides, com que as mulheres estéreis são inseminadas, não foram fabricados pelos cientistas. Porém o sonho desses homens é, um dia, produzir vida, criar uma espécie de Frankenstein cinematográfico.

Dogma da Evolução

evolutionAtualmente existem em todo o mundo ocidental milhões de indivíduos presos ao dogma da evolução. Em cima desse dogma está assentada a Ciência que se diz portadora da verdade libertadora. Outro pilar da ciência moderna é o materialismo, adiante melhor examinado.

Quando se assentou o dogma da evolução, deixou-se de perceber que o Universo não progride em linha reta ascendente, porém, em forma espiralada , numa espécie de onda senoidal. As leis evolutivas e involutivas são as bases da Creação e da harmonia universal. Os antigos sabiam disso. Prova é o símbolo do Tao. Nada é totalmente positivo e nada é totalmente negativo. Excesso de um, gera ou atrai o outro, no rastro da própria dissolução.

Em virtude do estabelecimento do dogma evolucionista, a Ciência não pode reconhecer a existência da Atlântida, pois, se o fizesse, o dogma viraria poeira, e, então, os chamados homens de ciência teriam que armar outro edifício de teorias que lhes servisse de ponto de apoio para suas alavancas de suposições e ilações intelectuais.

Se não houvesse tanto fanatismo pelo dogma da evolução e pelo materialismo, as evidências científicas encontradas em várias partes do mundo serviriam de prova suficiente para declarar publicamente: sim, a Atlântida existiu. Porém, nem os historiadores se atrevem a tanto, porque, igualmente, estão amarrados ou contaminados com o vírus da evolução.

Não está muito longe, no entanto, para os próprios dogmáticos encontrarem meios de se convencerem de seus erros e de seu atraso em matéria de conhecimento universal. A Física e a Eletrônica poderão, muito em breve, fabricar um aparelho que fotografará o passado. Um pouco depois poderão, inclusive, gravar vozes e sons desse mesmo passado.

Onde está tudo isso, poderá perguntar, com justificado motivo, o estimado leitor?

Na memória da natureza, respondemos. No akasha, dizem os orientais. Na condição atual, aqueles que quiserem comprovar pessoalmente estas palavras, poderão desenvolver seu sentido espacial. Alguns chamam esse sentido de clarividência. Dá no mesmo! Importa apenas o fato e a possibilidade de lermos diretamente no livro aberto e universal da natureza.

Mas, onde está o akasha?

Ele é formado pelos átomos que trazemos dentro de nós. Para fazer contato com esse mundo – e essa realidade, viva e palpável – devemos nos adestrar nas técnicas da meditação. Finalizando este ponto, com a prova da existência de civilizações anteriores à atual, o dogma da evolução cai por terra, como um prédio implodido.

Mas, enquanto isso não acontecer, vamos continuar fazendo de conta que o homem um dia morou na caverna, não sem antes ter sido engendrado pelo macaco. Porém, sempre que uma civilização consegue transformar uma flecha em míssil, tudo volta ao zero. E a humanidade que se forma após essa catástrofe julga ser a única. O tempo faz com que as dolorosas lembranças se apaguem.

Mas, tudo evolui e involui. Mediante os processos seletivos da natureza, as alterações de quantidade se transformam em mudanças de qualidade. A natureza não dá saltos. As alterações são lentas e graduais – como as transições políticas no Brasil. Nunca se pode pular do quantitativo para o qualitativo.

Entre os dois está o seletivo. A seleção é feita aleatoriamente e não quer dizer que só os melhores conseguem chegar lá. Exemplo disso é a concepção humana, nas bases em que é feita atualmente. Milhões de espermatozoides são jogados dentro da mulher. Só um chega lá, e esse que chega não quer dizer que é o melhor. Há muita acidentalidade nisso tudo. Se só o melhor fecundasse o óvulo, teríamos, de fato, uma humanidade perfeita. Temos?

Justiça social

justicaTodo cidadão, de qualquer país do mundo, do berço à sepultura, tem direito à vida, à educação, à saúde, ao trabalho, à alimentação, a se vestir, a morar e a ir e vir. É um princípio universal esse.

Já dissemos – e nunca é demais repetir – que uma nação só conhecerá a democracia quando tiver uma sociedade justa e igualitária. As diferenças e desníveis sociais podem ser reparados por um justo sistema previdenciário e de aposentadoria.

Afinal, deve o indivíduo adaptar-se à sociedade e a sociedade ao indivíduo. Deve também o Estado ser o pai e a mãe de seus filhos. Ser pai e mãe não quer dizer ser paternalista. Apenas deve ser menos injusto, menos cruel, menos impiedoso, menos bárbaro e menos atrasado.

Todo ser humano, especialmente os menos agraciados pela sorte, deve receber e contar com o apoio do Estado, do mesmo modo que sucede no corpo humano.

Se uma parte do corpo fica doente, todo o organismo se mobiliza para curar essa parte, e não para eliminá-la de si. Contraditório que o corpo social proceda pela cirurgia sempre que uma de suas partes adoece. Breve não haverá mais o que extirpar…

Sem justiça social, uma nação é presa fácil dos encantos do comunismo, em seus diferentes matizes. Para fazer justiça social, não é preciso dinheiro. É preciso ser honesto. Honestidade que deve ser cobrada em todos os níveis e de todos.

Aparentemente, os poderosos não precisam ser honestos. Seu dinheiro é sinônimo de honestidade. É como se comprassem honestidade. Vemos no Brasil os órgãos de previdência social arrecadando fortunas todos os meses. Vemos também criminosos soltos, sem que tenham reposto à Previdência – patrimônio de todos – tudo o que roubaram.

Corrupção e impunidade são dois caminhos que levam rapidamente à derrocada social. Os sintomas dessa realidade já se fazem sentir e só um cego ou mal intencionado não vê. Crianças e velhos, homens e mulheres, chegam de todas as partes, buscando ajuda e guarida nas cidades, sinal evidente de que as coisas no campo não vão nada bem; sinal de que não têm proteção, sinal de que o Estado não pensa nem se preocupa com eles.

Lastimável que o governo tenha uma estrutura paquidérmica, lenta e, mesmo sabedor disso, nada faça para melhorar. Não o faz porque nós cidadãos, não cobramos. Somos tão culpados por esse estado de coisas quanto o é o governo. Dizer bisonhamente que é impossível romper com esse processo todo, é sinal de incompetência, de má vontade, de preguiça, de falta de amor e de caridade universal.

Pode-se dizer que a maldade humana bateu as portas do céu (ou será do inferno ??). Mas isso não é só no Brasil. Quem esqueceu o drama da Etiópia? Do Haiti ? Quem pode ficar insensível ao drama das guerras fratricidas no Oriente? A carnificina da Bósnia?

Se o homem não fosse um pobre animal intelectual, se não fosse uma pobre máquina tricerebrada, inconsciente, estúpida e incapaz de fazer qualquer coisa; se, pelo contrário, fosse o homem um ser consciente, com capacidade para determinar acontecimentos e seus próprios atos, sentimentos e pensamentos, compreenderia todo esse drama, essa tragédia; notaria que todos somos células de um mesmo e gigantesco corpo, e compreenderia que fazer guerra contra o semelhante é o mesmo que reunir um grupo de células e mandá-las contra outro grupo de células, aniquilando-as entre si, num processo semelhante ao do câncer.

No estado relativo de adormecimento da consciência da humanidade atual, a aposentadoria e o seguro social é mais do que obrigação: é necessidade. Por três motivos: pela fatalidade do destino, pela inconsciência e por acidentes. Só um homem desperto e consciente não precisa de seguro social e previdência. Os demais, todos necessitamos, por esses motivos expostos.

Pela lei do destino, o carma cobra suas dívidas das máquinas humanas no tempo certo e disso ninguém se dá conta. A inconsciência leva ao cometimento de atos que se refletem, depois, em consequências danosas; por isso precisamos de previdência e de seguro social.

Por fim, independente de fatores de carma e de inconsciência, há a acidentalidade, da qual não estamos livres. Só um homem desperto está livre disso, porque conhece todas as leis, lê o amanhã, sabe o que fazer, como fazer e quando fazer. Ele não está livre das doenças, porém, está acima da dor e do sofrimento, nada havendo que o atinja. Assim, consegue sobreviver às mais duras penas e adversidades, o que não acontece com simples máquinas intelectuais.

Alguém sempre poderia nos perguntar como pode o Estado fazer tudo isso? Seria demasiado longo expor aqui tudo que ele poderia fazer. Assim, preferimos apontar um exemplo, onde tudo isso já acontece: Suécia e Japão. Se eles puderam, por que nós não podemos? Sabemos de antemão como será a reação de muitos: nós somos diferentes, diriam alguns. O país é muito grande, diriam outros. Somos pobres,  diria um terceiro.

Enfim, explicações não faltam; falta vontade política para fazer o que precisa ser feito.

Bens essenciais e supérfluos

consumo_conscienteO homem seria muito mais feliz e menos complicado se se dedicasse a inventar, produzir e a distribuir somente bens essenciais à vida, à saúde, ao conforto e à manutenção da sociedade como um todo. Porém, como se a vida não fosse suficientemente complicada, vazia e destituída de motivações reais, muitos se dedicam a tornar pior ainda o que já é ruim.

Muitos produtos, além de não serem necessários, são até prejudiciais. Bem verdade que a nossa ignorância é universal, fato que nos impede de reconhecer e de produzir o que é útil de fato, necessário e indispensável. Sempre existe um jeito de se fazer a coisa certa pelo meio certo com objetivos certos.

Mas reconhecer isso é muito difícil. Não temos mais a capacidade de ver o que é real e o que é supérfluo, o que é útil e o que é dispensável, o que faz bem e o que faz mal à saúde, à continuidade da espécie (humana), à natureza e assim sucessivamente.

Veja-se a situação dos EUA. É o país com maior número de casos de câncer, doenças do coração e outras enfermidades modernas. Ao mesmo tempo é o país que possui a ciência mais avançada do mundo e o maior controle sobre alimentos e remédios. Algo está errado aí. É preciso questionar  sua ciência, sua alimentação, seu modo de vida.

Percebamos que quanto mais coisas inúteis inventamos – e só o fazemos para ganhar dinheiro – mais complicada fica nossa situação como pessoas e civilização. Como dizem hoje os homens do marketing, tudo o que se faz vende, desde que tenha boa embalagem e se crie uma necessidade – ainda que essa necessidade exista apenas na cabeça dos criadores da campanha de publicidade.

Se o leitor se der ao trabalho de observar com olhos críticos tudo que é anunciado na televisão e nos meios de comunicação, perceberá o quanto tudo é enganoso, pois tudo objetiva levar as pessoas a consumir essas necessidades que são criadas artificialmente.

De forma alguma devemos negar ou se opor ao progresso, à criatividade, à modernização e à melhoria de vida como um todo. Sabemos que muitas coisas que o homem criou e descobriu melhoraram consideravelmente nossa vida. Referimo-nos aqui somente aos supérfluos, àquilo que, além de  dispensável, é até prejudicial.

Por exemplo, ainda que um refresco, desses que vem num envelope com enormes letras avisando que se trata de produto artificial, seja saboroso, gostoso e é fácil de fazer, a verdade é que são perigosos e nefastos à saúde. Mesmo os refrigerantes não são saudáveis. Qualquer médico naturista sabe muito bem; dados estatísticos existem em volumes suficientes para jamais um médico recomendar a ingestão dessas bebidas.

São os supérfluos que levam adolescentes a terem sérios e graves problemas de estômago, intestino e rins. Imagine, como será a terceira idade dessas criaturas habituadas a comer e beber porcarias. O homem preferiu e prefere o artificial ao natural e integral.

Enfim, o propósito aqui é convidar os interessados à reflexão, à observação de que, na medida que algumas coisas nos facilitam a vida, outras, em maior número, objetivam só a ganhar dinheiro, a escravizar as pessoas, tendo-as como simples máquinas de consumo.