Justiça social

justicaTodo cidadão, de qualquer país do mundo, do berço à sepultura, tem direito à vida, à educação, à saúde, ao trabalho, à alimentação, a se vestir, a morar e a ir e vir. É um princípio universal esse.

Já dissemos – e nunca é demais repetir – que uma nação só conhecerá a democracia quando tiver uma sociedade justa e igualitária. As diferenças e desníveis sociais podem ser reparados por um justo sistema previdenciário e de aposentadoria.

Afinal, deve o indivíduo adaptar-se à sociedade e a sociedade ao indivíduo. Deve também o Estado ser o pai e a mãe de seus filhos. Ser pai e mãe não quer dizer ser paternalista. Apenas deve ser menos injusto, menos cruel, menos impiedoso, menos bárbaro e menos atrasado.

Todo ser humano, especialmente os menos agraciados pela sorte, deve receber e contar com o apoio do Estado, do mesmo modo que sucede no corpo humano.

Se uma parte do corpo fica doente, todo o organismo se mobiliza para curar essa parte, e não para eliminá-la de si. Contraditório que o corpo social proceda pela cirurgia sempre que uma de suas partes adoece. Breve não haverá mais o que extirpar…

Sem justiça social, uma nação é presa fácil dos encantos do comunismo, em seus diferentes matizes. Para fazer justiça social, não é preciso dinheiro. É preciso ser honesto. Honestidade que deve ser cobrada em todos os níveis e de todos.

Aparentemente, os poderosos não precisam ser honestos. Seu dinheiro é sinônimo de honestidade. É como se comprassem honestidade. Vemos no Brasil os órgãos de previdência social arrecadando fortunas todos os meses. Vemos também criminosos soltos, sem que tenham reposto à Previdência – patrimônio de todos – tudo o que roubaram.

Corrupção e impunidade são dois caminhos que levam rapidamente à derrocada social. Os sintomas dessa realidade já se fazem sentir e só um cego ou mal intencionado não vê. Crianças e velhos, homens e mulheres, chegam de todas as partes, buscando ajuda e guarida nas cidades, sinal evidente de que as coisas no campo não vão nada bem; sinal de que não têm proteção, sinal de que o Estado não pensa nem se preocupa com eles.

Lastimável que o governo tenha uma estrutura paquidérmica, lenta e, mesmo sabedor disso, nada faça para melhorar. Não o faz porque nós cidadãos, não cobramos. Somos tão culpados por esse estado de coisas quanto o é o governo. Dizer bisonhamente que é impossível romper com esse processo todo, é sinal de incompetência, de má vontade, de preguiça, de falta de amor e de caridade universal.

Pode-se dizer que a maldade humana bateu as portas do céu (ou será do inferno ??). Mas isso não é só no Brasil. Quem esqueceu o drama da Etiópia? Do Haiti ? Quem pode ficar insensível ao drama das guerras fratricidas no Oriente? A carnificina da Bósnia?

Se o homem não fosse um pobre animal intelectual, se não fosse uma pobre máquina tricerebrada, inconsciente, estúpida e incapaz de fazer qualquer coisa; se, pelo contrário, fosse o homem um ser consciente, com capacidade para determinar acontecimentos e seus próprios atos, sentimentos e pensamentos, compreenderia todo esse drama, essa tragédia; notaria que todos somos células de um mesmo e gigantesco corpo, e compreenderia que fazer guerra contra o semelhante é o mesmo que reunir um grupo de células e mandá-las contra outro grupo de células, aniquilando-as entre si, num processo semelhante ao do câncer.

No estado relativo de adormecimento da consciência da humanidade atual, a aposentadoria e o seguro social é mais do que obrigação: é necessidade. Por três motivos: pela fatalidade do destino, pela inconsciência e por acidentes. Só um homem desperto e consciente não precisa de seguro social e previdência. Os demais, todos necessitamos, por esses motivos expostos.

Pela lei do destino, o carma cobra suas dívidas das máquinas humanas no tempo certo e disso ninguém se dá conta. A inconsciência leva ao cometimento de atos que se refletem, depois, em consequências danosas; por isso precisamos de previdência e de seguro social.

Por fim, independente de fatores de carma e de inconsciência, há a acidentalidade, da qual não estamos livres. Só um homem desperto está livre disso, porque conhece todas as leis, lê o amanhã, sabe o que fazer, como fazer e quando fazer. Ele não está livre das doenças, porém, está acima da dor e do sofrimento, nada havendo que o atinja. Assim, consegue sobreviver às mais duras penas e adversidades, o que não acontece com simples máquinas intelectuais.

Alguém sempre poderia nos perguntar como pode o Estado fazer tudo isso? Seria demasiado longo expor aqui tudo que ele poderia fazer. Assim, preferimos apontar um exemplo, onde tudo isso já acontece: Suécia e Japão. Se eles puderam, por que nós não podemos? Sabemos de antemão como será a reação de muitos: nós somos diferentes, diriam alguns. O país é muito grande, diriam outros. Somos pobres,  diria um terceiro.

Enfim, explicações não faltam; falta vontade política para fazer o que precisa ser feito.

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