A Livre iniciativa

09425lUma das cenas mais revoltantes que se vê nas grandes cidades é a perseguição que as autoridades movem contra indefesos trabalhadores que vendem suas bugigangas, doces, bijuterias, frutas e outros nas calçadas ou praças públicas.

Vivemos num país miserável, de grandes e injustos desníveis sociais e econômicos, onde há falta de emprego e milhares vagam pelas ruas em busca de um prato de comida, um jardim para limpar ou papéis velhos para recolher e vender, e assim, obter alguns trocados para dar de comer a si e, muitas vezes, aos seus.

Pensamos nesse quadro de miséria encontrar o exemplo mais significativo de quão injustos são os prefeitos dessas cidades, que soltam seus fiscais ou forças policiais em cima de pobres trabalhadores. Por acaso é crime trabalhar? É crime lutar pela sobrevivência? Prejudica-se alguém com esse pequeno comércio? Sim, dizem os desalmados!

Os comerciantes pagam impostos e não é justo que eles (os famélicos trabalhadores) venham competir, explicam esses agentes das minorias privilegiadas. Pois então que se regulamente a atividade dos ambulantes, porém, jamais se lhes impeça a livre iniciativa, o trabalho honrado e o sustento de suas famílias. Revise-se o modelo comercial praticado em cada cidade ou estado. Reduzam-se os impostos ou sejam dados incentivos.

O que nos deixa pasmo é ver que já em pleno século XXI ainda pratiquemos modelos tributários herdados do tempo colonial ou escravista. Só agora começamos a escutar que nosso país está levando oportunidades de cidadania, como obter conta em banco e pequenos empréstimos, aos mais remotos locais. Porém, ainda temos a visão obtusa de querer cobrar de minúsculas empresas familiares a mesma carga tributária e burocrática aplicada aos grandes conglomerados.

A única maneira de o povo simples sobreviver em tais ambientes sociais hostis e desumanos é trabalhar e produzir na clandestinidade. Isso se deve ao enorme descaso com que os desassistidos da sorte sempre foram tratados neste país e em todos os países pobres do mundo, onde justamente, os tiranos e governantes amealham grandes fortunas depositadas em algum banco estrangeiro.

Como vê o estimado leitor, a obra do Anticristo é gigantesca. Seus domínios se estendem por toda a terra e em todas as atividades. O trabalho sempre foi um direito sagrado e inalienável. Porém, os governantes insistem em criar mil empecilhos, leis e regulamentos para aqueles que querem trabalhar por si e para si e, em alguns casos, contando com a ajuda de um ou dois funcionários.

O país não precisa de empregos? O país não precisa de riqueza? Se a resposta é sim por que então complicar tanto? Não seria mais inteligente e mais fácil ajudar a iniciativa individual? Até mesmo estimulá-la?

A livre iniciativa dever ser estimulada. Ela já deu mostras de ser saudável e de promover o crescimento econômico e social das nações. Para que a iniciativa privada frutifique, é preciso liberdade, é preciso incentivo, é preciso vontade política, é preciso consciência social, ingredientes esses que poucos possuem, é verdade, mas que se alguém não começar, jamais se chegará a isso.

A livre iniciativa é uma das mais fortes barreiras para se impedir o surgimento e o florescimento do comunismo, que é tão opressor quanto o capitalismo selvagem. A livre iniciativa, quando não devidamente canalizada e sabiamente regulamentada no interesse de todos – e nunca de minorias – resulta, ao longo do tempo, no capitalismo explorador. A exacerbação do capitalismo é o imperialismo. Tanto o imperialismo quanto o comunismo são opressores, exploradores, desumanos e socialmente injustos.

A a mais nobre forma de capitalismo é a riqueza socializada, onde capitalistas e trabalhadores são sócios e participantes de uma mesma empresa.

Lembremos que democracia é o governo de todos no interesse de todos. É lógico que isso não quer dizer no agrado de todos. Beneficiar a todos é uma coisa; agradar a todos é outra bem diferente. Podemos perfeitamente beneficiar a todos, ainda que isso não agrade a todos. Porém, essa já é uma outra história.

É preciso haver muita vontade política. É preciso enfrentar os interesses contrariados. Toda mudança gera resistência. Porém, as mudanças são necessárias. E elas ocorrem, sempre, seja por meios pacíficos, seja por meios violentos. Não há como impedir mudanças na sociedade humana, e não há como dominar a força da vida que se expressa na corrente humana.

Trabalho vs. Salário

O salário mínimo é o menor valor que se pode pagar a uma pessoa pelos serviços prestados numa jornada de trabalho. O salário mínimo deveria ser suficiente para satisfazer as necessidades normais de um chefe de família em ordem material, social, cultural e educacional.

Esse é mais ou menos o teor da legislação sobre salários mínimos devido ao trabalhador em alguns países do mundo. Entretanto, entre a lei e a realidade, há uma grande diferença. A intenção é boa mas a ação não condiz com a proposta. O Estado pouco faz para que a lei seja cumprida. Nesse caso há duas injustiças: uma da parte de quem não cumpre a lei e outra do Estado, que não faz cumprir a lei.

Atualmente o salário mínimo no Brasil e em vários países beira a faixa dos US$ 300.00 mensais (trezentos dólares americanos). Em muitos países asiáticos não chega nem a metade desse valor. Esses números em si mesmos não dizem muito. O que vale mesmo é o poder relativo de compra de cada moeda dentro de cada país. Um trabalhador chinês pode ganhar US$ 50,00 mensais, mas, pagar de aluguel tão só US$ 1.00 mensal (cerca de 2% do que ganha).

Um trabalhador americano ou europeu pode ganhar US$ 3.000,00 mensais, mas pagar só de aluguel US$ 1.000,00 (cerca de 33% do que ganha). No país das favelas [Brasil] certamente uma grande anomalia se estabeleceu nos últimos 100 anos. Este país foi o que mais cresceu em um século, mas, continua sendo um dos países mais pobres do mundo, com impressionantes índices de analfabetismo, saúde pública quebrada e sucateada, salários aviltantes, mas CARGA TRIBUTÁRIA digna de uma Suécia, sem falar no absurdo e inaceitável índice de concentração de riquezas.

Longe de nós fazer apologia da violência e do crime, de guerras ou revoluções. Mas, se isso não for modificado, de forma urgente e eficiente, muito brevemente teremos a ruptura institucional e social do nosso país. O cenário está aí. Dá para ser visto todos os dias num simples noticiário de jornal ou de TV.

Explicações para a continuidade disso que está aí não faltam. A inflação explodiria, diz o governo. Minha empresa vai a falência, diz o empresário. Não há dinheiro diz o Ministro da Fazenda. É preciso aumentar os juros defende o Banco Central. Enfim, só o trabalhador não pode dizer nada. Se disser os míseros trocados que ganha para matar a fome e vegetar, deixaria de entrar todo mês na sua magra economia doméstica.

Enquanto isso, a caldeira social vai aumentando a temperatura e a pressão. O dia que explodir, todos perderão e podem perder tudo. Por que então não usarmos a inteligência que Deus nos deu aqui e agora??

Chamemos isso como bem quiserem: pacto social, acordo para o desenvolvimento, etc. Para tudo há uma solução quando há tempo para soluções negociadas. Na crise, na ruptura e em meio à batalha, aí, sim, já não haverá mais tempo.

A cooperação entre Estado, empresários e trabalhadores não só é possível, como viável. O Estado precisa acabar com a gula tributária e reduzir impostos, além de incentivar a livre iniciativa. O empresariado precisa de estabilidade, mercados, crédito acessível e barato (justo). O trabalhador deve receber o suficiente para poder comprar tudo aquilo que ele ajuda a produzir.

Se nos antecipássemos ao tempo e ao inevitável, evitaríamos muitos sofrimentos inúteis no futuro. Reflexão, meus amigos!

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