A Revolução da consciência

conscienciaA única evolução possível para o animal intelectual (equivocadamente chamado homem) é a evolução da sua consciência.

O que é consciência? É o Ser, é o Pai dentro de nós. A evolução da humanidade ou das humanidades que estudamos em Posts passados diz respeito somente à mecânica evolutiva da natureza. Aqui, quando falamos de evolução da consciência, estamos nos referindo a um tipo muito particular de evolução: aquela que o próprio indivíduo decide levar adiante, valendo-se da ciência alquímica e correndo por fora da mecânica evolutiva da natureza. Este é um trabalho muito especial, como veremos, mas é preciso compreender que a consciência não pode evoluir inconscientemente.

A evolução da humanidade é extremamente lenta porque está atrelada à evolução do planeta. A evolução do planeta é infinitamente longa; consequentemente, seriam necessários milhões de anos para se alcançar alguns poucos resultados. Já a Alquimia possibilita que em 20, 30 ou 40 anos se possa lograr o que demandariam milhões de anos.

Dentro da evolução mecânica da natureza não podemos perder de vista o fato de que toda a vida orgânica do planeta serve unicamente aos interesses dele mesmo. Assim, sendo o homem parte dessa vida orgânica, sua evolução além dos limites impostos pela mesma natureza é contra suas leis e desígnios. Por isso mesmo só os indivíduos podem evoluir — jamais as massas.

O conhecimento para possibilitar a evolução dos indivíduos é distribuído parcimoniosamente. Se esse conhecimento fosse distribuído a mãos cheias às multidões acabaria faltando. É como se quiséssemos distribuir um quilo de ouro para a população pobre do Brasil. Não haveria ouro para todos e a fração de ouro que cada um receberia não resolveria seus problemas.

Assim, amigo leitor, se você recebeu este conhecimento, dado aqui, é porque você, de alguma maneira, tem méritos para isso. Não importa por que meios você chegou até esta fonte. O importante é o fato de ter chegado, e agora compete a você trabalhar e desenvolver em si mesmo as possibilidades da sua consciência. É hora de acordar, irmão! O sonho acabou! Mas, se você desprezar agora esta oportunidade, uma nova oportunidade não te será dada tão cedo. Pense nisso e aproveite! O tempo corre mais rápido que teu pó.

Níveis de saber e jeitos de ser

Tratemos agora de um tema muito polêmico mas de grande importância para o trabalho que temos em vista. Referimo-nos aos níveis de saber e ao jeito de ser de cada um. Samael Aun Weor denomina essas duas linhas da vida como sendo o “nível de saber” e o “nível de ser” de cada um.

Aqueles que buscam a evolução da consciência humana precisam aprender a equilibrar esses dois níveis: o ser e o saber. As duas linhas devem avançar sempre em equilíbrio para que a evolução aconteça de forma harmoniosa e completa. Uma linha deve sempre sustentar a outra. Se a linha do “saber” ultrapassar a do “ser”, mais cedo ou mais tarde, a evolução se estancará. Do mesmo modo, se a linha do “ser” avançar mais que a do “saber”, haverá desequilíbrio e todo o progresso interno será impossibilitado.

Todo mundo compreende o significado de “saber”, reconhecendo inclusive distintos “níveis de saber” e compreendendo que esses níveis podem ser mais, ou menos elevados, de acordo com os cursos e especializações que uma pessoa realize durante sua vida. Entretanto, o mesmo já não acontece com os “níveis de ser” porque temos a marcada tendência de confundir “ser” com “existir” e, assim, ficamos impossibilitados de ver que o “ser” também gradua-se em diferentes níveis.

Sabemos que o jeito ou o nível de “ser” de um animal é bem diferente do “jeito de ser” de um homem. Por incrível que pareça, dois homens podem “ser” ainda mais diferentes entre si que uma planta e um animal. Por exemplo, olhemos o nível de ser de um criminoso ou traficante de drogas e um homem religioso (que obviamente viva e pratique sua doutrina). Também não é difícil estabelecer diferenças entre os “níveis de ser” de um adulto e de uma criança ou de um adulto e de um ancião.

No Ocidente é perfeitamente normal e admissível a idéia de um homem ter um vasto saber e uma cultura extraordinária — como um cientista, que faz grandes e importantes descobertas — e, ao mesmo tempo, “ser” uma pessoa egoísta, mesquinha, invejosa, orgulhosa, cética, vingativa, etc.. Neste lado do mundo não temos nenhuma vergonha de ter um baixo nível de ser.

Aqui, no Ocidente, é um insulto chamar o outro de burro ou de ignorante (baixo nível de saber), mas, parece que pouca importância se dá ao “jeito de ser” de muita gente que vive como prostituta, ladrão, homossexual, egoísta, explorador, drogado, bêbado, mau chefe de família, etc. especialmente aqui neste país do jeitinho nacional de triunfar na vida… Enquanto estivermos satisfeitos com nosso nível de saber, e não dermos grande importância ao nosso jeito de ser, qualquer mudança psicológica ou de consciência se torna impossível.

Quando o saber ultrapassa em muito o ser, o homem torna-se especulador, teórico, cético, abstrato, imprestável à vida prática; às vezes chega a se tornar nocivo às pessoas e à sociedade na medida em que complica ou distorce a realidade das coisas.

  1. Será o saber de uma coisa ligada à ignorância de outra?
  2. Será o saber do detalhe ligado à ignorância do todo?
  3. Será o saber da forma ignorante da essência?

Sem uma mudança da natureza do jeito ou do nível de ser é impossível uma mudança da natureza do saber. O ser ou jeito de ser do homem moderno, considerado em si, caracteriza-se pela ausência de unidade e pela ausência de propriedades inerentes a quem possui verdadeira unidade de ser:

  1. Consciência lúcida
  2. Vontade livre
  3. Capacidade de fazer
  4. Caráter altruísta
  5. Voltar-se para a solidariedade e bem estar dos semelhantes, etc., etc..

O jeito de ser do homem moderno possui muitos lados diferentes e contraditórios, fazendo de sua vida um verdadeiro inferno:

  1. Atividade e passividade
  2. Verdade e mentira
  3. Sinceridade e falsidade
  4. Coragem e covardia
  5. Controle e descontrole
  6. Calma e irritabilidade
  7. Orgulho e humildade
  8. Preguiça, vaidade, amor próprio, moralidade, depravação, avareza, cobiça, sentimentalismo, apegos, etc.

Como regra geral, para fins de nossos estudos de psicologia de evolução humana, podemos dizer que o ser do homem moderno é de qualidade muito inferior ao do homem que construiu a Idade de Ouro da humanidade. Em muitos casos esse nível de ser é tão baixo que já não mais é possível uma modificação ou mudança positiva.

Aquele que ainda sente alguma possibilidade de deixar de ser máquina ou ente mecânico a serviço dos desígnios da natureza deve se considerar muito feliz — sinal que não mal gastou sua preciosa Essência (ou consciência), da qual pode cristalizar isso que se chama “Ser”.

Reconhecemos ser doloroso examinar o panorama da humanidade atual e ver bilhões de entes mecânicos mal chamados homens sem a menor possibilidade de conserto ou de evolução da sua consciência neste momento.

Como pode evidenciar o leitor que chegar à compreensão das ideias aqui expostas, de modo nenhum é aconselhável o desenvolvimento do “nível de saber” em desequilíbrio com o “nível de ser” (ou vice-versa). Mas, contraditória ou incoerentemente, parece que é a unilateralidade desse desenvolvimento o que mais atrai e encanta as pessoas.

Compreensão: A Chave da transformação

Vimos que o desenvolvimento do saber sem o correspondente desenvolvimento do ser produz um homem que sabe muito, mas que nada (ou muito pouco) pode fazer, um homem sem nenhum poder sobre as leis da vida, um homem que não compreende o que sabe, um homem sem apreciação, sem a capacidade de avaliar as diferenças entre um gênero e outro de saber.

Do outro lado temos o desenvolvimento do ser sem o correspondente desenvolvimento do saber, que produz isso que poderíamos, grosseiramente, denominar de “santo estúpido”, um homem que tem poderes ou que pode fazer muito, mas que não sabe o que, como e com que fazer; e se faz alguma coisa, o faz prisioneiro de sentimentos e boas intenções, mas cujo resultado costuma quase sempre ser desastroso.

É o caso dos sinceros equivocados que, imbuídos de nobres e celestiais intenções, cometem crimes odiosos e imperdoáveis. Isso nos recorda, de certo modo, a “santa” inquisição, com seus milhares de assassinatos em nome de Deus.

— Seriam os inquisidores “frios criminosos” ou “santos estúpidos”?
— Qual a diferença entre um criminoso desse tipo e um santo ignorante?

Não importa, no fundo todos os grandes erros são cometidos pelo desequilíbrio entre as linhas do ser e do saber. O mal sempre é feito, de uma ou de outra forma.

A compreensão é a única maneira de se perceber a interdependência entre o ser e o saber.

Saber é uma coisa; ter compreensão daquilo que se sabe é outra, bem diferente. A própria consciência precisa se tornar consciente de si mesma.

O saber, por si mesmo, não dá compreensão. E a compreensão não poderia ser aumentada apenas por acréscimo de saber. A compreensão é uma luz (digamos) que surge da relação, do cruzamento das linhas do ser e do saber. A compreensão só cresce em função do desenvolvimento da linha do ser.

Todo mundo sabe como acumular saber, mas poucos conhecem a ciência de acumular “ser”. Esse conhecimento só é passado nas escolas que ensinam a encarnar Espírito.

Vejamos um exemplo: um homem não pode compreender a idéia da mecanicidade humana apenas porque leu em algum livro. Para que esse homem compreenda a mecanicidade da vida deve senti-la com toda sua força dentro de si mesmo. Só assim a compreenderá. É no campo prático que isso se torna mais real. O grande problema ou dificuldade de se compreender o que é compreensão está na linguagem; rotular, apelidar, dar nomes, todo mundo faz. Mas isso não significa que se tenha compreendido o que se está denominando de A ou B.

A compreensão é uma vivência, uma espécie de apreensão da verdade ou essência de uma dada realidade ou objeto. É um estalo, um insight, um clic que faz com que a gente “saiba” determinada coisa.

Um homem pode saber ou ter informações descritivas a respeito da dor do parto, mas nunca terá a compreensão do que é a dor do parto ou da maternidade porque nunca gerou um filho. E assim acontece com tudo. Muitas vezes pensamos que compreendemos uma coisa quando, na verdade, estamos recebendo uma informação sobre essa mesma coisa.

Colocamos aqui muita ênfase no aspecto “compreensão” porque sem isso nenhum trabalho sobre si será possível. Enquanto um homem não compreender a sua própria mecanicidade, não a notará, e não a percebendo, não fará nenhum esforço para deixar de ser mecânico.

Do mesmo modo, enquanto o estudante não compreender que toda evolução só será possível se desenvolver a sua consciência, não trabalhará para isso; não fará todos os esforços necessários para plasmar uma consciência permanente e contínua.

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