O conhecimento de si mesmo

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fe-e-cienciaEssa fórmula, geralmente atribuída ao Templo de Delfos, é muito antiga, tendo servido de base para muitas escolas de formação de Homens muito antes que a Grécia irrompesse no cenário da História.

O conhecimento de si é a base para qualquer trabalho de evolução humana. Por mais estudo que tenham feito nossos psicólogos isso nada representa no sentido de o homem realmente se conhecer. O conhecimento de si implica no conhecimento da máquina humana como um todo, fazer-se consciente de todos seus processos e, ainda, ir além: Tornar sua inteligência iluminada.

A estrutura da máquina humana é idêntica em todo mundo. Se alguém quiser evoluir, alcançar seus infinitos potenciais psicológicos, deve buscar se conhecer profundamente antes de iniciar qualquer mudança. Do contrário, ainda que queira mudar, não saberá para que direção mudar.

Na máquina humana tudo está ligado, de modo que o todo depende do detalhe e o detalhe depende do todo. Não se pode, dessa maneira, estudar-se uma função sem considerar as demais. Esse estudo exige tempo e, muitas pessoas, não são pacientes, não estão dispostas a se estudar. Com isso causam a si mesmas grandes e irreparáveis males e acabam perdendo seu retorno ou sua atual encarnação correndo atrás de leituras, sonhos, fantasias e promessas esotéricas.

O método fundamental para o autoconhecimento é a observação permanente e contínua de si mesmo. Sem uma correta e permanente “observação” de si mesmo um homem jamais compreenderá as ligações e as correspondências das diversas funções da máquina humana e, por causa disso, nunca compreenderá como as coisas acontecem nele.

Devemos, no início, apenas observar nossas atitudes, emoções, pensamentos, gestos, hábitos, palavras, etc. como fazemos num teatro, quando observamos os atores trabalhando no palco. Nós não participamos da peça; somos apenas espectadores. Assim devemos agir em relação a nós mesmos; apenas observar tudo que acontece conosco, sermos espectadores de nós mesmos. Num segundo momento devemos começar a estudar, refletir e a analisar como e por que as coisas acontecem em nosso amplo universo interior. Depois, fruto desse estudo e análise, vem a compreensão ou percepção real de nosso estado interior.

Por fim, tendo analisado criteriosamente todo esse intrincado funcionamento de nossos mecanismos psicológicos, devemos apelar a um poder superior a nossa mente, que, no Oriente, é denominado de Devi Kundalini Shakti. Esse poder superior a nossa mente é o único que pode ELIMINAR essas engrenagens e esses falsos valores que povoam nossos 5 centros.

Essa didática é necessária porque é muito difícil alguém estudar algo se não possuir material para o estudo. O material para estudo se obtém através da observação de si mesmo. A constante observação de nós mesmos nos permitirá conhecer uma série de leis e de ordens de acontecimentos de como funcionam as coisas dentro de nós, ou seja, de como a máquina humana reage às impressões externas, às palavras, às mudanças climáticas, enfim, às infinitas manifestações exteriores.

Qualquer tentativa de estudo, análise ou compreensão fora do contexto global da máquina humana, sem levar em conta todas as ligações entre os diversos centros, é perda de tempo. A própria observação de si não deve ser mecanizada, sob risco de perder toda sua utilidade. A observação de si, aqui citada, é diferente daquela “observação” que nós estamos acostumados e fazer quando “observamos” os fatos do dia-a-dia.

Quando o interessado começar a se observar deverá tentar identificar a que centro (intelectual, emocional, instintivo, motor, sexual) pertence o fenômeno, fato ou aquilo que está observando. De início poderá ser difícil diferenciar pensamento de sentimento ou emoção; de sensação de impulso motor; de impulso motor de instinto.

Somente depois de haver estudado e compreendido determinado modelo comportamental, atitude ou reação é que se deve começar a buscar a mudança ou a “autotransformação”. Não se pode mudar nada sem primeiro haver estudado detalhadamente o próprio comportamento, sem conhecer-se muito bem. Lembre-se: Transformação é possível desde que o poder superior a nossa mente intervenha eliminando os falsos valores, e nós, em seu lugar, comecemos a praticar os valores autênticos de nosso Deus Interno, conhecidos como VIRTUDES.

Um exemplo pode ilustrar melhor o que estamos tentado dizer: uma pessoa notou que é muito gulosa. Começa a lutar contra esse hábito ou vício. Se for persistente e metódica logrará vencer sua gula, através de autoanálises, estudos e reflexões.

Entretanto, se o trabalho for realizado incorretamente, em vez da compreensão da gula haverá a repressão e, com isso, sem que ela perceba, no lugar da gula surgem outros problemas; digamos que essa pessoa tenha se tornado irritável ou irritante, implicante, ou ainda fanática pela moderação. A gula foi vencida até um certo grau, mas no seu lugar surgiu outro problema. Assim, para que essas mudanças imprevistas não aconteçam é preciso um método de trabalho. Esse método consiste, pela ordem, em:

  1. Auto-observação
  2. Auto-estudo ou auto-análise (reflexão)
  3. Compreensão
  4. Auto-mudança

A Parábola do cocheiro

No Oriente é muito conhecida esta parábola. Nessa história vemos uma carruagem, um cavalo, um cocheiro e um amo. Esses 4 elementos podem estar ligados entre si, não estar ligados ou estar mal ligados.

A carruagem se liga ao cavalo, o cavalo ao cocheiro, o cocheiro ao amo. O cocheiro deve ouvir e compreender a voz do amo, além de conduzir cavalo e carruagem. O cavalo, antes de ser posto para tracionar a carruagem, deve ser treinado, para que obedeça ao comando e à voz do cocheiro. Cavalo mal atrelado solta-se em viagem e pode provocar acidente.

Assim, desses 4 elementos devem existir 3 ligações. Se uma delas apresentar defeito, o conjunto não poderá agir como conjunto, e o trabalho torna-se impossível.

O trabalho sempre deve começar pelo cocheiro, que é a nossa mente. Para ouvir a voz do amo (o Íntimo, o Ser, o Pai Interno) o cocheiro deve estar atento (processo de começar a despertar a Consciência). Além do mais deve compreender as palavras do amo (o Íntimo). Muitas vezes o amo fala numa linguagem desconhecida para o cocheiro. Então, ele deve aprender essa linguagem (simbólica) para que saiba o que fazer e para onde ir. Caso contrário ele nunca poderá cumprir a vontade do amo.

É responsabilidade do cocheiro conduzir a carruagem, atrelar e alimentar o cavalo (corpo emocional). O cocheiro tem a obrigação de zelar pelo estado de conservação da carruagem (saúde do corpo físico) porque de nada serviria ouvir e compreender as palavras do amo se a carruagem (o corpo físico) não estiver em condições de viajar. Muitas vezes, atendendo ordens do amo, o cocheiro dá ordem de partida na carruagem, mas o cavalo (emoção, sentimentos) não está atrelado ou está faminto.

Essa parábola oriental contém profundos ensinamentos. O cavalo é o corpo de desejo, nossas emoções. Se o cocheiro (a mente) não tem firmeza nas rédeas (força de vontade), o cavalo (as emoções, os sentimentos) arrasta a carruagem (o corpo) para uma viagem em círculo, isso quando não acaba caindo no abismo.

A carruagem deve seguir o cavalo. O cavalo deve obedecer ao cocheiro. O cocheiro deve cumprir as ordens do amo. Nisso há harmonia perfeita e sincronia de vontades. Essa é a ordem natural do trabalho.

Todos esses elementos, em si mesmos, podem estar perfeitamente bem e em ordem, e mesmo assim, não haver jornada. Por que? Simplesmente porque falta ligação, falta conjunto. De nada adianta ter um corpo físico saudável, emoções sob controle, pensamentos claros, compreensão da voz do amo se falta ligação entre eles. Uma pessoa que não possui ordem nesse trabalho é conduzida de baixo para cima; é como se a carruagem comandasse todos os demais elementos.

 

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