A ciência universal

0980No Egito antigo, cuja população descendia diretamente dos atlantes – assim como os astecas, maias e incas – a Magia apresentava-se sob a forma de uma ciência completa, única e universal. Uma das mais exaltadas expressões desse fato perpetuou-se até nossos dias, estando contida nas Tábuas de Esmeralda, de Hermes Trismegisto: “O que é superior é como o que é inferior e o que está em baixo é como o que está em cima para formar as maravilhas da coisa única” (Quæ superius sicut quæ inferius, et quæ inferius sicut quæ superius ad perpetranda miracula rei unius).

A própria divisão geográfica do Egito dessa época era uma síntese mágica, como, do mesmo modo, vemos expresso nas três divisões do Tarô (egípcio). O Alto Egito era a figura personificada do mundo celeste. O Médio Egito, era o país da Ciência e das Iniciações.

O Baixo Egito era o símbolo da Terra e da vida material. Desse modo, todo o Egito era um grande livro, cujos ensinamentos eram repetidos e traduzidos em pinturas, esculturas, arquitetura, cidades e templos. Ou seja: tudo obedecia a padrões arqueométricos, concorrendo para uma poderosa realização sinérgica.

Reis e sacerdotes formaram grandes Adeptos em suas Escolas e Templos Iniciáticos. José, um escravo hebreu, alcançou a posição de Primeiro Ministro, depois de haver passado pelas Iniciações. Durante seu governo, o país talvez tenha conhecido a maior abundância e prosperidade de toda sua história.

Naquela época, José pôde realizar o mais ambicionado sonho do decadente comunismo do século XX: fazer do Estado e do Sacerdócio os únicos proprietários e árbitros do trabalho e da riqueza nacionais e ainda, com os conhecimentos adquiridos pela Alta Ciência, pôde acabar com a miséria e fazer do país uma grande nação.

O abismo que separa os líderes de hoje dos sábios do passado é muito grande. Tão grande que, nos tempos atuais, o homem perdeu a capacidade de receber ensinamentos e conhecimentos diretamente da fonte (que são os Deuses).

É o que dizíamos anteriormente ao comentar a realidade dos governantes de hoje. Eles são escravos de vícios, paixões, cobiças e ambições de poder. Imaginemos José, como primeiro ministro do faraó, há milhares de anos, sem haver passado pelos processos de auto-superação dados pela Iniciação. Teria mergulhado o Egito em dívidas e sistemas políticos egoístas e ambiciosos, de forma semelhante ao que fazemos hoje, quando, por ignorância, elegemos péssimos governantes e sustentamos maus representantes.

Cumpre registrar que José, na tradição bíblica, teve seu nome perpetuado até nossos dias por ter sabido interpretar o sonho do faraó. Sabia José que, durante o sono normal, a alma sai do corpo, vai a diferentes lugares e regiões. A alma, nessas condições, entra em contato com o mundo das ideias arquetípicas e simbólicas, tornando possível desvendar os mais bem guardados segredos dos homens e da natureza.

Conhecer os segredos dos sonhos ou, melhor ainda, aprender a ciência da projeção da alma, equivale a possuir as chaves do conhecimento das leis universais. Todos os seres inteligentes recebem revelações durante o sono porque é nesses momentos que a alma, livre das amarras da matéria, pode retornar ao lugar de onde saiu ou vivia antes de ganhar corpo.

Todas as noites, de forma natural, acontece, durante o sono, o desprendimento da alma do corpo. Esse fenômeno, modernamente, é denominado “viagem astral”, “desdobramento”, “projeção da consciência”, etc.

O Sepher Yetzirah é o livro por excelência da descrição filosófica da linguagem simbólica da civilização judaico-cristã.

Quando a Magia começou a degenerar-se no Egito, apareceu, como sempre, a idolatria. O povo, com o tempo, acaba tomando como realidades vivas as formas hieroglíficas.

A responsabilidade maior desse fato compete aos sábios e aos sacerdotes-magos, que por orgulho ou descuido, acabam deixando passar mais que o devido às mentes e ouvidos despreparados. Hoje, é diferente: é imperativo que se fale e se ensine esta ciência primitiva, independente do ceticismo ou materialismo das pessoas.

Por causa da idolatria, Osires tornou-se um boi. O sábio Hermes, um cão. Hórus, um falcão. Anúbis, um chacal. É assim que os modernos teólogos, historiadores e egiptólogos veem o antigo panteão divino da “Terra Ensolarada de Kem”.

Daqui a 4 mil anos, se a atual civilização prosseguir sua trajetória idólatra, os historiadores e teólogos da época vão dizer que os antigos cristãos adoravam um velho barbudo, uma ovelha e uma pomba, referindo-se ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.

A idolatria foi, exatamente, a causa da saída de Moisés do Egito. Recebeu Moisés a incumbência divina de selecionar e criar uma nova nação, que fosse desenvolver-se longe dos ídolos. A esse povo escolhido, foi proibida a idolatria e o culto às imagens.

Conta a tradição bíblica que, mesmo isolado no deserto, saudosos de seus ídolos, os escolhidos construíram um bezerro de ouro enquanto Moisés recebia, no monte, as tábuas com as 22 leis (plasmadas nas 22 cartas do Tarô) das quais apenas 10 foram dadas a conhecer ao público até nossos dias. As outras 12 continuam ignoradas, embora estejam ao alcance de todos.

A Magia na Grécia

Se nos povos da antiguidade pré-histórica — Caldéia, Assíria, Babilônia, incluindo-se também o Egito — a Magia manifestou-se como poder real e sacerdotal, na Grécia plasmou-se como Arte, Beleza e Estética.

Nas Tradições da Antiga Grécia, encontramos Orfeu entre os heróis do Tosão de Ouro. O Tosão, como tantas outras fábulas, simboliza a luz, o ouro solar, a riqueza espiritual que busca todo aspirante da Alta Ciência. Isso vem a ser nosso próprio Ser Real Interior e Profundo.

Cadmo, outro herói da Grécia antiga, exilado voluntário de Tebas, do Egito, leva à Grécia as primeiras letras e a arte ou ciência de combiná-las entre si. Dessa Gnose, a nova Tebas constrói-se por si mesma, em forma circular, com o quadrilátero no seu interior, com 7 portas. É a Magia pura plasmando-se em forma de cidade, construída segundo as grandezas numéricas e simbólicas do ocultismo verdadeiro.

A obra de Homero, seguindo o mesmo padrão arquetipal, descreve o trabalho dos Deuses Solares na edificação ou construção da Grande Obra. Apresenta os tipos imortais, os valores universais que os homens jamais deveriam perder. Ali, encontram-se as ideias que levantam ou derrubam nações, impérios e civilizações.

Dentro da fábula do Tosão de Ouro temos o aríete, o qual deve ser conquistado para se obter o reinado do mundo. O navio dos argonautas, construído com a madeira do carvalho profético, é a mesma Barca de Ísis dos Mistérios egípcios.

Jasão é o aspirante à Iniciação, é o Buscador que traz em si todas as imperfeições do gênero humano, mas que, por sua audácia, personifica o valor de todo aspirante dos Grandes Mistérios. Hércules, neste caso, representa a força bruta, mas, também, o Cristo Solar que deve realizar seu trabalho iniciático em torno dos 12 Templos Zodiacais. Medéia entrega a Jasão os segredos da Grande Obra, sofrendo, depois, as consequências de sua decisão: trai o pai, como Cam; assassina o irmão, como Caim; apunhala os filhos, envenena a rival e só tem o ódio de quem queria ter o amor.

Embora detentor do Tosão de Ouro, Jasão não se torna mais sábio — o que é explicado pelo fato de ter obtido os segredos dos Mistérios através da astúcia e não por méritos próprios. Ou seja: não era um Adepto como Orfeu. É, antes, um arrebatado, um entusiasta, como Prometeu.

Jasão não estava em busca da ciência ou da Gnose; buscava o poder e a riqueza e, por isso, acabou morrendo [isso ocorre com todos aqueles que buscam apenas despertar seus poderes sem se preocuparem em eliminar seus defeitos ou suas imperfeições humanas].

O Pentateuco grego, a Bíblia da Grécia antiga, é formada por estas 5 obras ou epopeias: “Prometeu”, “Tosão de Ouro”, “Tebaida”, “Ilíada” e “Odisseia”. Não sem motivos, portanto, alguns sábios do hermetismo expressam que “não foi sem riscos que os Hierofantes da Poesia iniciaram as populações da Grécia nessas maravilhosas ficções conservadoras da verdade universal”.

Ésquilo ousou pôr em cena lutas gigantescas, queixumes sobre-humanos e as esperanças divinas de Prometeu. O poeta da família de Édipo foi acusado de ter traído e profanado os Mistérios e escapou, com muita dificuldade, da condenação. Ésquilo foi quem mostrou Prometeu ao povo, derrubando Júpiter e sendo libertado por Alcides. Até hoje, os estudiosos da mitologia grega não veem, neste drama, o triunfo da impiedade e da anarquia. Foi uma autêntica antevisão do que iria acontecer em nossos dias, quando os escravos assumissem o poder e manejassem a lei a seu favor.

O fundador da Grécia, e seu primeiro civilizador, foi Orfeu. Pouco importa, aqui, a realidade ou a fábula sobre o iniciador da civilização helênica. O que se atribui a Orfeu é todo um Dogma, um Mistério, um Arcano sobre os destinos sacerdotais. É um novo ideal sobre o culto à Beleza. É a regeneração e a redenção mesma do Amor.

Orfeu desce aos infernos em busca de Eurídice e deve trazê-la sem olhá-la, pois é assim que o Iniciado trabalha na Grande Obra com sua eleita, com sua prometida, dedicando-se a ela em vez de cobiçá-la, pois está escrito na natureza que é renunciando-se ao objeto da paixão que se merece possuir o verdadeiro amor. Para tirar Eurídice do inferno não é preciso que se olhe para ela. Mas, sendo Orfeu ainda um homem, e não um Hierofante, cede. E olha…!

Pobre Eurídice! Cometida a falta, começa a expiação. Orfeu fica viúvo sem ter tido tempo de conhecer Eurídice. Viúvo de uma virgem! Permanecerá sempre virgem porque o Iniciado não tem dois corações e os filhos das Raças dos Deuses amam para sempre! Uma viuvez dedicada à musa sagrada! Acaba, depois, Orfeu morrendo da morte dos Iniciadores…!

Essa lenda de Orfeu e de Eurídice sintetiza os Mistérios alquímicos, a serem abordados em outro momento. No momento, seguimos falando em língua sagrada, com termos e palavras ricas de simbolismo para preparar a mente e a Consciência do leitor para o cru realismo do mais bem protegido segredo da Magia.

Da sabedoria de Orfeu surgiram os Mistérios Órficos, resumidos nestes enunciados:

  • O homem, depois de haver sofrido a influência dos elementos, deve fazer sofrer aos elementos a sua própria influência.
  • A creação é um ato de magia divina, contínua e eterna.
  • Para ser, é preciso conhecer-se.
  • A responsabilidade é uma conquista e, a própria pena do pecado, uma forma de alcançar novas conquistas.
  • A vida repousa sobre a morte.
  • A palingenesia (reencarnação) é uma lei reparadora.
  • O casamento é o equivalente humano do grande mistério cosmogônico: o casal deve ser um, como Deus e a natureza são um.
  • O casamento é a unidade da Árvore da Vida; a devassidão é a divisão e a morte.
  • A astrologia é uma síntese.
  • O conhecimento das virtudes das plantas, dos metais e dos corpos, onde há vida, forma uma síntese.

A Magia Kabalística

De acordo com Eliphas Levi, mago e cabalista francês do século XIX, a Kabala foi trazida da Caldéia por Abraão, ensinada no Egito por José, recolhida e purificada por Moisés, oculta sob símbolos na Bíblia, revelada por Jesus a São João e contida, até nossos dias, sob figuras hieroglíficas no Apocalipse.

Os kabalistas autênticos abominam a idolatria, mesmo quando emprestam a Deus uma figura humana. Sabem esses veneráveis que, o que é Deus em si mesmo e por si mesmo, não é dado ao homem compreender ou conhecer. Os kabalistas consideram Deus como o infinito inteligente, amante e vivo.

Não se trata, portanto, de uma coleção de seres nem da abstração do Ser num ente filosoficamente definível. O Ser existe por si mesmo porque é. Samael Aun Weor, falando do Ser, diz: “O Ser é o Ser, e a razão de ser do Ser, é o próprio Ser”.

É, portanto, a esta realidade filosófica e incontestável, chamada “idéia de Deus”, que os kabalistas dão um nome e, neste nome, acham-se contidos todos os outros. Por sua vez, os números deste nome produzem todos os outros números, enquanto que os hieróglifos das letras desse mesmo nome exprimem todas as leis e todas as coisas da natureza.

Em nosso alfabeto, as letras que formam essa idéia de Deus são: JHVA, de onde surge o nome Jehovah ou Jeová. Mas os sábios cabalistas não pronunciam esse santo nome — apenas suas letras: Iod, he, vô, he. É importante notar que com as letras Iod-he-vô-he também se escreve o nome de Javé — o chefe da Loja Negra e autor secreto do assassinato de Jesus há dois mil anos. Isso ilustra muito bem porque, em Magia, devemos ser exatos e matemáticos, tanto na pesquisa quanto na expressão.

A Magia Kabalística está assentada sobre os Mistérios da Árvore da Vida, com seus 10 Sephiroth.

A Magia e os cultos públicos

Cultos e cerimônias religiosas sem Magia, sem deslumbramentos e sem a emoção mística assemelham-se às cavernas secas e nuas. Os fundadores de seitas cristãs não quiseram compreender ou aceitar este requisito fundamental de toda religião autêntica. A própria Igreja Romana, suposta guardiã dos tesouros espirituais deixados pelo Cristo, acabou, ao longo do tempo, mormente no século XX, despindo seus cultos e templos do esplendor e da magnificência da Magia.

Embora difícil de aceitar — e de compreender — a “ortodoxia” e a “tradição” formam o caráter absoluto da Magia. As tradições ortodoxas foram levadas da Caldéia por Abraão, as quais reinaram no Egito no tempo de José.

Moisés trouxe consigo do Egito essa ortodoxia ao povo eleito. Na Kabala existe uma teologia inteira, completa e perfeita, embora o vulgo, os comerciantes do sagrado e os historiadores só vejam números de sorte e crendices supersticiosas.

Em todos os tempos, os cultos públicos foram sempre um pálido reflexo da autêntica religião contida na Alta Ciência. No passado, para passar das cerimônias públicas para os ritos internos e reservados aos sacerdotes, havia o rito da Iniciação, uma cerimônia que culminava um longo período de preparação individual no campo das Altas Ciências.

Esses ritos foram, aos poucos, sendo transformados e simplificados, nos “sacramentos” da Igreja Católica. Mas, na Igreja Gnóstica, esse rito continua sendo praticado até hoje.

A Iniciação é o começo para se galgar a Hierarquia dos Sacerdotes e dos Deuses. Para se chegar à Alta Iniciação é preciso cumprir primeiro um determinado tempo, durante o qual é atendida uma série de requisitos.

Até nossos dias, esses princípios continuam sendo aplicados. Em função de uma conjuntura muito específica que o mundo está atravessando no momento, o trabalho de preparação à Alta Iniciação pode e deve ser feito em casa mesmo, no escritório, nas ruas, enfim, enquanto se vive a vida normal de hoje. O Mestre Samael Aun Weor, Avatar da Era de Aquário, veio trazer ao mundo a doutrina da Senda da Vida Doméstica.

Os profanos, os externos, o povo, querendo ter acesso aos Mistérios dos Templos, sem antes haver passado pelo período de preparação, que implica, obrigatoriamente, no pagamento de um preço em forma de renúncias e sacrifícios voluntários e, por consequência, não podendo compreender o que é a Magia e como é operada, sempre lançaram contra os sacerdotes, magos, Magia e Templos de Mistérios, toda sorte de calúnias, blasfêmias e conceitos errôneos.

Esta vingança da ignorância presunçosa do vulgo ou dos intelectuais contra a Magia, por incrível que pareça, foi o fato determinante da sua continuidade até nossos dias. Não há sombra de dúvida que as chamadas atrocidades, barbaridades e orgias, atribuídas à Magia devem ser buscadas em sua parte sinistra, porque a Magia Branca luta pela vida, pela manutenção dos mais elevados valores sociais e morais, pela pureza e ortodoxia das Tradições e das Religiões. De todo modo, as religiões confessionais nada mais são que a parte pública dos Mistérios.

A Magia no Cristianismo

Sendo a Magia a ciência do equilíbrio universal, a qual tem por princípio absoluto a verdade, a realidade e a razão do Ser, à partir dela, pode-se explicar as antinomias e realidades opostas: a harmonia é sempre resultante da analogia dos contrários.

Os erros e confusões religiosas são resultantes do falso entendimento do princípio maior da Alta Ciência, no qual não se pode confundir Religião com Filosofia. Ao quererem fazer da Religião uma filosofia e da Filosofia uma religião, tentaram submeter as coisas da Fé (Pistis) aos preceitos da Ciência — ato tão ridículo quanto submeter a ciência às obediências cegas da fé.

Nos tempos atuais, é grande o número de pessoas que dizem: “Eu vou acreditar no que vocês dizem quando puderem me provar cientificamente o que afirmam”. Ora, o que querem essas pessoas é acreditar em algo quando já não existir mais nada para acreditar, e o dogma não mais exista como dogma, havendo tornado-se um teorema. Isso equivale a dizer: “Eu acreditarei no infinito quando ele se tornar finito”.

Em Magia, “dogma” equivale ao termo “aforismo”, “fórmula” ou “axioma”. Só possui valor e realidade para aqueles que conhecem (ou experimentaram) o seu conteúdo. É como a linguagem simbólica: só tem sentido e valor quando utilizada entre aqueles que a conhecem. Portanto, que não se confunda aqui “dogma” com “artigo de fé”. A fé só tem valor quando se transforma em fé consciente. A fé pertence a uma realidade superior à mente, à razão e às emoções.

Os que se dizem cristãos, não aceitam a Magia porque lhes foi ensinado que Magia é superstição, heresia. Desconhecem o fato histórico de que Jesus foi o maior dos magos, que seus milagres são fenômenos possíveis a todo e qualquer mago. Além disso, ignoram que o Talmud fala que Jesus Ben-Sabta (o filho da separada), tendo estudado no Egito os Mistérios profanos, ergueu em Israel uma falsa pedra angular e arrastou o povo à idolatria.

O sacerdócio judaico foi, sem dúvida, injusto para com o Divino Mestre que ensinava aos seus apóstolos e discípulos a obediência à Hierarquia. Dizem antigas Tradições que, Jesus, assim falava aos seus: “Eles (sacerdotes judeus) assentaram-se na cadeira de Moisés; fazei o que eles dizem, mas não façam o que eles fazem”. (Sem dúvida, essas mesmas palavras podem ser utilizadas hoje em relação àqueles que estão sentados na cadeira de Jesus… e à frente de algumas linhas gnósticas contemporâneas…)

A propósito, como sabiam os antigos judeus que a pedra angular de Jesus era falsa? Acaso eles conheciam a verdadeira? Acusando Jesus de ser um inovador, eles, na prática, estavam confessando o esquecimento e a ignorância da antiguidade de sua ciência.

Comparando-se os Evangelhos e o Apocalipse com o Sohar e o Sepher Yetzirah, pode-se perceber que o cristianismo não foi (nem é) uma heresia judaica; era (e é), para surpresa dos atuais doutores eclesiásticos, “a verdadeira tradição ortodoxa do judaísmo”, da qual os escribas e fariseus da época, eram apenas sectários.

É uma lástima que, passados dois mil anos, o cristianismo continue envolto em trevas. Tão hermético é o Apocalipse que, até nossos dias, continua íntegro — porque não foi possível modificá-lo, visto que os teólogos da Igreja Romana nada entendem de Kabala.

Quanto aos 4 Evangelhos, estes passaram por inúmeras mutilações para atender aos interesses temporais da Igreja em diferentes épocas. Felizmente, foram preservados documentos muito antigos, acerca dos primórdios do cristianismo, capazes de reconduzir, publicamente, a doutrina do Grande Kabir da Galileia ao lugar onde sempre esteve, entre os Iniciados.

Dentro desse contexto, os ditos livros apócrifos, ironicamente, conservaram sua pureza original, enquanto os canônicos, foram impiedosamente mutilados para atender os interesses temporais e dogmáticos da igreja de Roma. Por isso mesmo, aconselhamos aos interessados estudar os Evangelhos Apócrifos.

A Magia nos tempos de Carlos Magno

Carlos Magno é o verdadeiro príncipe dos encantamentos, uma autêntica ilha encantada em meio à barbárie da Idade Média, uma espécie de regresso ao tempo do Rei Salomão. Com Carlos Magno, o império romano ressurge em todo seu esplendor. Também, com Carlos Magno, pode-se vislumbrar a perfeição amadurecida da civilização, um império construído em bases religiosas e mágicas.

Com Carlos Magno começou a era da cavalaria. Esses tempos recordam os anos dourados de antigas civilizações. Os pássaros falam, colossos de bronze surgem do mar, as espadas são mágicas… Carlos Magno dá um trono ao papa e dele recebe o governo do mundo… Por algum tempo o poder real e o poder sacerdotal fundem-se para dar à nação aquilo que as pessoas mais necessitam: abundância, educação, paz, prosperidade, lei, ordem e justiça.

É a Carlos Magno que está ligado o Enchiridion, um livrinho que encerra, com as mais belas preces cristãs, os mais ocultos caracteres da Kabala, assinala Eliphas Levi. Diz a tradição oculta que o Enchiridion foi dado a Carlos Magno por Leão III. Este livro contém:

  • A existência de uma revelação primitiva e universal explicando todos os segredos da natureza e concordando-os com os mistérios da graça, conciliando a razão com a fé.
  • A necessidade de ocultar esta revelação à multidão por receio de que ela viesse a abusar, interpretando-a mal e empregando-a contra a fé.
  • A existência de uma tradição secreta que reserva aos soberanos e pontífices o conhecimento desses mistérios.
  • A perpetuidade de certos sinais ou pantaclos exprimindo estes mistérios de modo hieroglífico, cujo conhecimento pertence aos Adeptos.

O Enchiridion seria ou é uma espécie de coletânea de preces alegóricas tendo por chave os pantaclos mais misteriosos da Kabala.

A Magia e a Alquimia

A Magia, em si mesma e por si mesma, é A Ciência. A Alquimia é essa mesma ciência em ação. Dentre os grandes alquimistas que o mundo conheceu encontram-se Raimundo Lullo, Nicolas Flamel, Basílio Valentin, o Abade Tritemo, Cornélio Agripa, Guilherme Postel e o maior de todos: Paracelso.

Todos os grandes e autênticos alquimistas não só conheceram a Magia como, mais importante, compreenderam em profundidade seus princípios, dogmas e enunciados. Os “sopradores” não só não compreenderam como até hoje continuam procurando fora uma “Pedra Filosofal” que está dentro de cada um. As Doze Chaves de Basílio Valentim são, ao mesmo tempo, kabalísticas, mágicas e herméticas.

Guilherme Postel era filho de camponeses. A custo de tremendos esforços e sacrifícios conseguiu instruir-se, tornando-se, “o mais sábio dos homens do seu tempo”, conta Eliphas Levi.

A pobreza foi sua companheira permanente e a miséria forçou-o, por vezes, a vender os livros que tão dificultosamente havia adquirido. Aprendeu todas as línguas e ciências do seu tempo. Descobriu e teve acesso a manuscritos raros e preciosos. Maravilhado diante de tamanhos tesouros acabou por escrever um livro: A chave das coisas ocultas desde o princípio do mundo.

Teve a coragem e a ousadia de dirigir-se aos padres do Concílio de Trento, conclamando-os a entrar na senda da conciliação e da síntese universal. Ninguém, naturalmente, o compreendeu. Alguns o acusaram de heresia; outros, de louco.

Segundo Postel, “a Trindade fez o homem à sua imagem e semelhança. O corpo humano é duplo e sua unidade ternária compõe-se da união de duas metades e a alma humana também é dupla: é anima e animus, espírito e ternura. Tem dois sexos: o paterno, na cabeça, e o materno, no coração. “O cristianismo, dizia, ainda não havia sido compreendido senão pelas cabeças pensantes; não havia ainda descido até os corações”.

“O Verbo fez-se homem, mas só quando se fizer mulher é que o mundo virá a salvar-se”. “Vede agora”, acrescentava: “De que se compõe a religião da maioria dos cristãos? De uma parcialidade ignorante e perseguidora, de uma obstinação supersticiosa e, sobretudo, do medo. Tudo isso porque não sentem esses cristãos os divinos entusiasmos do amor materno que lhes explicaria a religião inteira.

O poder que se apoderou de seu cérebro e que liga seu espírito não é o Deus bom, inteligente e longânimo. É o mau, tolo e covarde Satanás. Eles têm muito mais medo do diabo do que amor por Deus. São cabeças geladas e comprimidas, colocadas como túmulos sobre corações mortos”.

Para aqueles que julgam (ainda hoje) Postel um louco, há que se registrar suas principais “loucuras”:

  • Ter defendido o pensamento de que a religião deve reinar sobre os espíritos pela razão suprema de seu Dogma.
  • Ter defendido o princípio em que a monarquia, para ser forte e saudável, deveria encadear os corações para as conquistas da prosperidade pública e da paz.
  • Ter acreditado no advento do reino daquele a quem pedimos todos os dias que seu reino venha a nós.
  • Ter acreditado na razão e na justiça sobre a Terra.
  • Por ter escrito aos padres do Concílio de Trento para que eles abençoassem todo mundo e não lançassem anátemas sobre os demais.
  • Ter proposto aos jesuítas a idéia da concórdia universal entre os homens, a paz entre os soberanos, a inteligência entre os sacerdotes e a bondade entre os príncipes deste mundo.
  • Ter desprezado os bens da terra e o favor dos grandes.
  • Ter vivido sempre na pobreza e na humildade e não ter ambicionado outra coisa na vida que não seus livros e a sabedoria.

No final de sua vida, seus superiores eclesiásticos, tendo-o julgado mais louco que puro e bom, condenaram-no a viver enclausurado no mosteiro, sem saber que ele era infinitamente grato por terem-no dado cama e assistência quando já não havia mais ninguém por ele…

Outro “louco” chamou-se Teofrasto Aurélio Bombast, conhecido na Alquimia como Paracelso, o grande renovador da Medicina (na realidade, o fundador da Medicina Oculta). A medicina de Paracelso repousa sobre as propriedades do agente mágico, a luz astral, o ouro fluídico ou potável.

Como já foi dito antes, esse agente criador é o que dá a todas as coisas o movimento, a luz, a vida, etc. É essa luz que se torna astral nos astros; animalizada nos animais; vegetativa nas plantas. Essa luz é que dá cor ao sangue, brilho aos metais, vida às sementes e ao ar que respiramos (prana).

Para tratar de um membro doente, por exemplo, Paracelso fazia uma réplica de cera e, depois, tratava-o por simpatia. Ou seja: emanava para esse membro toda a energia contida no “fogo” e no “vitríolo”.

Em Magia Negra, são famosos os bonecos de cera do Haiti, cujos bruxos utilizam para matar ou infernizar a vida dos desafetos ou daqueles que lhes encomendam trabalhos de Magia Negra…

Paracelso trabalhava, também, com o sangue. Sabia dos poderes mágicos contidos nesse fluido astral humanizado. Os sacerdotes de Baal, para fazer descer fogo do céu, faziam-se incisões com facas. Os orientais que querem inspirar o amor físico a uma mulher espalham seu sangue diante dela.

Em local onde é derramado sangue acorrem anjos ou demônios. Tal é o poder desse agente universal, veículo de poderosas energias, capazes de serem manipuladas por vontades fortes e bem treinadas.

Cagliostro e Saint Germain

Sobre Saint Germain existem muitas histórias e lendas. Ele próprio contribuiu para que se formasse essa nuvem de contradições. Conhecia tudo de ciências ocultas, e aqueles que o ouviram falar, entenderam que estava vivo há vários séculos. Ele mesmo escolhia seus discípulos e deles exigia obediência para, depois, lhes falar de uma realeza à qual foram chamados, a realeza de Melquisedeque e de Salomão, a mesma realeza dos Iniciados, que também é um sacerdócio.

“Sede o archote do mundo”, dizia. “Se vossa luz é apenas a de um planeta nada sereis diante de Deus. Eu vos reservo um esplendor junto do qual o do sol é uma sombra. Então, podereis dirigir a marcha das estrelas e governar os que governam os impérios”.

Seria por demais extenso e desnecessário enveredar aqui pelo sinuoso caminho da biografia de Saint Germain. Seu trabalho sempre esteve voltado à política e aos destinos das nações. Fez-se presente nos momentos cruciais da Europa e, neste século, nos momentos mais difíceis do mundo, como na Segunda Guerra.

Saint Germain é um autêntico alquimista, imortal — o que significa que possui o “elixir da longevidade”. Portanto, ele não morreu na Europa nas diferentes épocas em que lá se fazia aparecer. Saint Germain, como outros magos autênticos, domina “a arte de enganar o diabo”.

Outro personagem misterioso do continente europeu é Cagliostro, considerado agente dos Templários. Os equivocados julgam que esse mago e alquimista era dado à práticas de magia negra. Sabe-se que era um poderoso adivinho, fazia curas milagrosas e até era capaz de fazer ouro.

Diz-se também que ele introduziu na maçonaria um ritual novo, chamado de Rito Egípcio, tentando ressuscitar os cultos a Ísis. Ele próprio oficiava à noite em templos repletos de archotes e hieróglifos. Tinha por sacerdotisas moças denominadas columbas, a quem exaltava até o êxtase para fazer oráculos…

Como Saint Germain, Cagliostro conheceu grande sucesso. Era dotado de um sistema nervoso excepcionalmente impressionável. A isso unia altivez e firmeza. A exageração pública e a imaginação, especialmente das mulheres, cuidavam do resto. Era reconhecido e aplaudido por todos e em todos os lugares. Em seu busto era colocada esta inscrição: o divino Cagliostro.

Do mesmo modo que tantos outros grandes personagens, após a glória conheceu a humilhação, a difamação e a derrota. Não que tivesse sido derrotado. Pelo contrário! Escapou de tudo e de todos e ainda que hoje se acredite que tenha morrido numa masmorra, o fato é que continua vivendo…

Cagliostro foi, provavelmente, o último grande alquimista europeu conhecido, embora, depois dele, tenha existido Fulcanelli. No Século XX tivemos em Samael Aun Weor o mais exaltado desses seres misteriosos que, de tempos em tempos, aparecem sobre o planeta.

Esse bendito e sagrado Ser desencarnou em 24 de dezembro de 1977, na cidade do México, onde vivia desde que teve que fugir da Colômbia, ainda nos anos 50, em função de perseguições religiosas e dos médicos, pela mesmas razões com que sempre os grandes seres são perseguidos, caluniados e mortos: inveja. As guerras e padecimentos que sofre hoje a Colômbia vêm do Karma que esse país gerou por haver perseguido um Mestre da Loja Branca.

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