A origem e objetivo das religiões

YeshuaO objetivo das religiões é apressar a evolução espiritual humana. Mas, é inútil querer dar a todos os mesmos ensinamentos. O que é útil para alguns, é incompreensível para outros; o que produz êxtase no santo, não faz nenhum efeito no criminoso. Mesmo assim, todas as classes sociais têm necessidade de uma religião.

O homem só poderá viver sem religião quando se fundir com seu Íntimo. Então, ele será a própria religião, porque, tendo se fundido com seu Ser, encarnará em si todos os princípios sagrados de todas as religiões do mundo. E como Jesus poderá dizer: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”.

Sempre que, por má condução dos sacerdotes ou por falta de prática dos fiéis, a Religião fracassa, Deus envia ou faz surgir seres especiais para reacender e sustentar o facho da Luz, afugentando assim as trevas do barbarismo e da ignorância das coisas do eterno. Esses seres são os profetas, os mensageiros divinos, os avatares, os santos, os budas, os hierofantes que, de tempos em tempos, criam ou trazem uma nova religião ou uma nova filosofia de vida ao mundo.

— Mas, qual é a origem das religiões?

As respostas são muitas! Com base nos fatos conhecidos pelo homem, pode-se chegar à sua origem seguindo-se as trilhas da Mitologia e das religiões antigas.

A diferença existente entre a proposta mitológica e a religiosa reside, simplesmente, na maneira de definir a origem do homem e sua relação com Deus. A moderna concepção mitológica afirma que a religião é apenas uma expressão aperfeiçoada de ingênuas e bárbaras convenções dos homens primitivos. Desse modo, entende que a origem comum das religiões é a própria ignorância comum.

Assim, para esses estudiosos, o animismo, o fetichismo, o culto à natureza, o culto ao sol ou às estrelas não passam de coisas surgidas ao acaso, e que Krishna, Mitra, Cristo, Buda, não passavam de curandeiros ou pessoas espertas que se sobressaíam graças à ignorância das massas do seu tempo.

Porém, o mito sempre foi (e continua sendo) a forma pela qual se perpetua aquilo que não possui explicações racionais ou as grandes verdades transcendentais (algo que os estudiosos cientistas modernos ignoram).

Por outro lado, quando realizamos estudos comparados de religiões vemos que toda religião verdadeira possui ensinamentos de homens divinos, que revelam, de tempos em tempos, os diferentes fragmentos de uma mesma Verdade. Por outro lado, podemos ver também as religiões selvagens, que são degenerações que resultam de uma longa decadência dessas mesmas religiões antigas (ou autênticas) e que foram praticadas como o são as nossas, modernamente, em tempos e civilizações tão remotas que os historiadores não fazem a mínima idéia.

Aparentemente, o estudo dos mitos e das religiões apresenta contradições de uma em relação a outra, quando, na verdade, uma complementa a outra. As religiões foram dadas a todos os povos em todas as épocas com um fim específico, qual seja, a de satisfazer a necessidade moral e natural de cada nação, no seu tempo e na sua época. Foi assim no Egito antigo, na Grécia de Orfeu, na Roma de Numa, etc. Perguntamos, a título de reflexão: Faria sentido hoje a prática da religião dos antigos romanos? Faria sentido hoje o exercício dos rituais e cerimônias a Ísis ou a Osíris?

O grande papel das religiões sempre foi o de fazer chegar ao povo, às massas de crentes, as Grandes Verdades contidas nos Mitos Universais. Os Mitos sempre possuíram (e ainda possuem) significados que só os Iniciados compreendem. Daí, a enorme dificuldade dos estudiosos modernos para estudar e compreender o conteúdo e a realidade dos Mitos Universais.

Mito e religião — eis aí os dois círculos de um mesmo conhecimento sagrado.

Os mensageiros divinos

Tendo afundado na matéria, após a simbólica expulsão do paraíso edênico do continente lemuriano, e já adorando deuses antropomorfizados, o homem não poderia jamais achar o caminho de volta, da sua origem. A Providência teve que organizar um esquema de envio de Mensageiros para visitar os filhos dos homens. Foi assim que, limitando-nos aos últimos milênios, vieram à Terra: Orfeu, Mitra, Rama, Osíris, Krishna, Moisés, Buda, Jesus, Maomé, etc..

Aos deuses criados pelos homens foram atribuídos seus próprios defeitos, como a cólera, o enfado, a intolerância e até o suborno (os deuses gregos). O sacerdócio foi decaindo mais e mais e suas leis deixaram de ser respeitadas pelos mais fortes. Por fim, os sacerdotes e os governos uniram-se contra o povo, chupando o seu sangue como sanguessugas.

Mas, o mundo nunca foi abandonado e esquecido pela Divindade ou pela Providência Divina, palavra cuja raiz torna-se bastante adequada ao sentido aqui atribuído: prover.

Essa Providência sempre proveu o mundo de bons sacerdotes e de bons governantes. Como esses eram poucos ante a maioria, uniram-se secretamente para salvar o povo da bárbara tirania imposta pelos degenerados, devolvendo-lhe assim seus direitos e quebrando os grilhões da escravidão, ainda que esse mesmo povo viesse a sacrificá-los.

Esses salvadores do povo começaram a instruir gradualmente os homens, porque sabiam que o poder sem o saber é uma temeridade perigosa (algo que vemos à saciedade em nossos dias). Tinham que formar suas sociedades e comparecer às reuniões com todo o sigilo e de forma secreta. Daí a origem do termo Sociedades Secretas.

Cada época e cada povo teve as suas sociedades secretas, batizadas com diferentes nomes. Uma delas foi a maçonaria, cuja missão foi a de trazer os ventos da democracia e da liberdade de ação e manifestação diante de reis e papas, e no século XX, dentre outros movimentos, ressurgiu o gnosticismo histórico, cuja missão é revitalizar e regenerar o cristianismo e o politeísmo das religiões antigas.

Essas sociedades secretas foram formadas por super-homens em todos os séculos. E um dos trabalhos dessas sociedades foi Iniciar seus estudantes no Saber, no Poder, no Fazer e no Calar, os quatro mandamentos de todo Mago.

Colocado isso, podemos passar ao estudo das religiões para descobrir o espírito único de todas elas, o qual sempre foi ocultado com roupagens de diferentes lendas e mitos. Mesmo assim, todos os Iniciados, até nossos dias, adoram unicamente ao Deus Íntimo, cuja primeira manifestação é fogo e luz dentro do corpo. Por isso disse Jesus [o Cristo]: “Eu sou a luz do mundo; quem vem a mim não andará em trevas”.

Pré-história religiosa ariana

Parafraseando o que ensinava Saint-Yves, reza a Tradição Oculta recente que, no ano de 6.700 a.C., Ram conquistou o Ceilão, dominando seu povo, de pele negra. Começou, aí, o domínio branco (arianos). Segundo Saint-Yves, Ram mudou seu nome para Lam (de onde se originou a palavra “lama”), fazendo-se Rei Espiritual e Soberano Pontífice da atual região do Tibet. Ram (ou Lam), nesse tempo, estendeu seus domínios sobre todos os reinos da Ásia Menor e Maior. No Tibet, fundou a Universidade Invisível, passando a influir sobre toda a Terra.

O Reino do Cordeiro (Áries) não é um mito; antes, é uma Iluminação. O budismo e o cristianismo perdurarão pelos séculos, porque o livro sagrado de toda religião perdurará no mundo espiritual e todo Profeta o encontrará completo e exato, no plano divino e nas estrelas. Cada astro é uma letra viva para o Iniciado.

De Moisés, Daniel, dos Esdras e dos Vedas não possuímos mais do que um sinal refletido da Verdade, porque perdemos os verdadeiros caracteres originais. Porém, não é difícil encontrar, no mundo inteiro, ou na memória da natureza, a cópia original. Um dia, sempre surge quem reconstrói as Escrituras Sagradas de todos os povos. Por isso, devemos ser tolerantes em matéria religiosa.

Os livros sagrados foram escritos em três planos e para três planos: divino, angélico e humano. Ou para Iniciados, Aspirantes e Povo. Os homens (o povo) estão no terceiro plano — o mais grosseiro e básico de todos.

No Reino do Cordeiro (de Ram) todos os homens submetiam-se a um só pastor espiritual. Um dia, porém, certos revoltados não mais quiseram seguir o caminho do coração [gnosis kardias] e, esquecendo-se da intuição, optaram pela racionalidade. Com isso, trocou-se o arquétipo divino pelo humano; dividiu-se o Conhecimento [Gnosis] em “doutrina do cérebro e doutrina do coração”. Claro que, essa divisão, trouxe sérias complicações, como poderemos ver mais adiante.

Importante saber que Ram ou Rama foi um dos tantos enviados pela divindade para ajudar a humanidade em suas necessidades espirituais; é um dos Avatares de Vishnu, assim como Krishna, Buddha, João Batista, entre outros Santos e Mestres.

As datas e dados aqui apresentados nem sempre são correspondentes aos apresentados pela realidade histórica, podendo ser bem mais antigos. Registramos esse pequeno comentário a título de ilustração. Também poderíamos ter citado outros personagens, mas julgamos mais conveniente detalhar certas particularidades em outros Posts, quando estudaremos a História da Magia.

A religião na Índia

Há três grandes períodos históricos na Índia e em seus livros sagrados:

  • O Védico, ou época de Ram, que dominou a Índia por meio dos Ários até 3.000 a. C.
  • O Brahmânico que se estendeu até 2.400 a. C., caracterizado pela recusa dos dogmas da teocracia do Cordeiro.
  • O Búdico, com o advento de Buda.

Os Vedas são livros importantes. Pode-se dizer que a Bíblia cristã é análoga desses livros, ou, pelo menos, muitas de suas passagens são encontráveis nos Vedas (um livro bem mais antigo do que a Bíblia), palavra que quer dizer “ciência”. Há quatro Vedas: Rig, Sama, Yadjur e Atharva [e há 4 evangelhos. Coincidência?].

As cerimônias do período védico eram muito simples. Os ários (que significa os nobres) tinham um culto muito sábio; não possuíam templos nem altares. Faziam fogo por meio de fricção de duas madeiras sobre seus altares simples e rústicos e o mantinham com manteiga clarificada. Ofereciam aos Deuses uma espécie de pão e licor (soma) que tinham a propriedade de desenvolver certas faculdades psíquicas.

Hoje, o fogo dos altares foi substituído pela lâmpada elétrica. Já na época de Jesus Cristo não havia mais o soma. Por isso, Jesus usou vinho — que é a substância ou veículo material mais adequado para incorporar ou materializar átomos solares em cerimônias mágicas ou religiosas. Até hoje o vinho é usado pelas igrejas cristãs. No século XX, um outro avatar, Samael Aun Weor, acabou institucionalizando o uso do suco da uva em substituição ao vinho.

Entre os ários, o pai de família oficiava à aurora, ao meio-dia e ao por do sol. Os filhos arianos, daquele tempo, tendo herdado esses ritos de seus pais, passaram-nos de geração em geração, fazendo surgir a casta dos sacerdotes na Índia.

Outros preferiram combater os amarelos e os negros presentes no território hindu, de onde se originou a casta dos guerreiros. As raças vencidas formaram as castas inferiores (para eles) dos comerciantes e dos artesãos. Nesse tempo, o bramanismo era tão só uma semente.

Brahmanismo

O brahmanismo ou bramanismo foi uma época maravilhosa para o mundo, pois deixou à sua passagem, obras estupendas, como o Mahabarata, o Ramaiana e os Puranas, entre os poemas épicos; O Carro de Argila e o Kalidasa no gênero dramático; O Maghaduta, o Gita-Govinda e o Pantchatantra na poesia lírica. Também nos deixou o bramanismo numerosos ensaios de astronomia, as cifras decimais (trazidas até nós pelos árabes), a aritmética e a álgebra.

A obra magna do bramanismo é o Código de Manu, em doze livros, abarcando política e religião (e há ainda quem acredite e defenda a idéia de que política não deve se misturar com religião, quando é, exatamente, o oposto). Foi esse Código que deu origem ao Código de Minos na Grécia, de Numa, em Roma, de Em-Manu-El dos judeus e cristãos. Todo o Bramanismo nos fala dos Vedas ou do Vedanta, sendo nitidamente religioso.

Os Yogues e o Budismo

Depois do bramanismo surgiu o sistema materialista de Kapila, o qual nega a existência de Deus e só crê na imortalidade da alma, na eternidade e na onipotência de uma causa primeira (teria aqui Aristóteles, da Grécia, tirado a sua teoria do “primeiro motor”?), imperceptível e imutável que se chama Prakriti, que é a Raiz das Raízes da matéria, cuja contrapartida é Purusha, o princípio sensível e inteligente presente dentro de cada homem.

Patanjali, discípulo da Kapila, não se satisfez com a obra de seu mestre e admitiu a realidade de Deus, princípio eterno, neutro e indivisível. Sua escola deu origem ao Ioga, que é a doutrina da União de todos os seres com o Ser Universal. O Baghavad-Gita é um período do Mahabharata ou Krishnaísmo.

O ioguismo foi sucedido pelo budismo. Gautama ou Buda nasceu no ano de 1024 a.C., segundo cronologia chinesa, ou no ano 621 a.C., segundo crônicas cingalesas. Seu trabalho consistiu em completar os ensinamentos bramanicos, tomando o coração humano como base essencial do sistema.

Pregou aos homens o desprezo pelo prazer, pelo sofrimento e pela pobreza, predicando a necessidade da perfeição pessoal e o exercício da caridade para com todos os seres. Os princípios por ele ensinados foram: a igualdade entre os homens por sua origem e destino relativizando a existência das castas. É claro que os bramanes fizeram de tudo para aniquilar o budismo e os budistas, mas não o conseguiram, do mesmo modo que não conseguiram os romanos acabar com o cristianismo.

Krishna

A história de Krishna tem a mesma roupagem que a história de Jesus, amoldada, é lógico, ao modo hindu. Ao penetrarmos no Arqueômetro de Saint-Yves, podemos observar imparcialmente que o Cristo foi a ponte que uniu a Igreja Patriarcal com o Cristianismo nascente e que, antes de o Cristo encarnar, já existia o cristianismo há milhares de anos, porque Cristo não é um ser, um indivíduo, e sim um atributo do eterno Absoluto [portanto, o Cristo é um dos aspectos manifestos do Absoluto].

No ano 3.200 a.C., aconteceu a revolta religiosa, científica e social da Índia. Nessa época, os Iniciados Ários (do Cordeiro) exilaram os yonianos, revolucionários guerreiros que invadiram e conquistaram a Ásia Menor até o Egito.

O reis yonianos haviam adotado a cor vermelha como sinal de poder e, por isso, foram chamados de Pikshas (ou vermelhos), palavra que depois foi traduzida como “fenícios”. Como o grosso desse exército de sectários (de yonianos) era composto de camponeses, eles foram chamados de “reis pastores”.

Os yonianos acabaram com os Conselhos Governamentais sinárquicos e os substituíram pela soberania pessoal, absoluta e despótica e também dissolveram os Colégios de Magos, matando todos os Iniciados conhecidos. Os Iniciados brancos (arianos) tiveram que lutar contra esse poder por longo tempo.

“Caíram em poder dos Yonianos o Irã, várias nações árabes e quase toda a Índia. Seu reinado foi o do despotismo e da crueldade, porém, fundaram um grande império (o Assírio), com duas grandes cidades: Nínive e Babilônia. Nimus fortificou Nínive e perseguiu os Iniciados durante toda a sua vida. Dominou a Armênia, a Média e o Irã, que tomou o nome de Pérsia. Destruiu o resto da Sinarquia de Ram. Seus numerosos prisioneiros de guerra construíram Nínive, uma cidade que chegou a possuir 87 quilômetros quadrados, cercada de muros tão largos que podiam correr três carros lado a lado. Possuía 1.500 torres de 60 metros de altura. Nínive foi arrasada por Ciaxares, rei da Média, no ano de 625 a. C.”

A Religião da Babilônia

Semi-Ram-Is quer dizer “Luz Intelectual de Ram”. Semíramis foi uma Iniciada do Colégio Feminino de Mitra, dirigido por Simma, esposa de Menonés, grande chanceler do império da Assíria. Depois de Nimus, Semíramis adotou o trinitarismo de Krishna e a pomba como símbolo dos Iniciados yonianos, trocando assim a cor vermelha dos estandartes pela cor branca. Por fim, a imperatriz fundou Babilônia, com casas de quatro andares, templos e palácios suspensos, pontes com um quilômetro de comprimento.

Os exércitos de Semíramis cumpriram o mandamento esotérico: o Iniciado mata o Iniciador, e atacaram a Índia. A imperatriz da Assíria reuniu três milhões de soldados, 500 mil cavalos, 100 mil camelos e 100 mil carros de guerra. Porém, perdeu dois milhões e meio de seus homens, porque, segundo os historiadores gregos, os hindus combateram os exércitos assírios com canhões de bronze e armas de fogo (nunca saberemos se isso realmente foi verdade…).

Os hiksos jamais puderam dominar os celtas, as antigas colônias brancas, as quais preferiram exilar-se a sofrer o domínio perverso dos Yonianos. Uns penetraram no deserto, e converteram-se em beduínos, enquanto outros passaram ao Egito e à Etiópia. Moisés deu a essa massa cruel e despótica (dos hiksos) o nome de Nemrod, que significa “reino adversário de Jeová”, ou encarnação material de Satã.

Depois dessa destruição selvagem, os Iniciados dos Templos trataram de salvar as artes e as ciências enviando um adepto para reconstruir as bases da sociedade humana. Como não puderam reaver a unidade destroçada, estabeleceram em cada região um centro de revelação divina. Desse momento em diante, começaram a trabalhar as distintas sociedades secretas e os diversos Colégios Iniciáticos que a história registra.

Zoroastro e Israel

Zoroastro foi o adepto enviado ao Irã. Na China, surgiu Fo-Hi. No Egito, veio Moisés, que constituiu o Is-Ra-El, que quer dizer Colégio Real de Deus. Na Grécia, Orfeu acaba com a anarquia. Um segundo Zoroastro surgiu na Pérsia. Esse foi o primeiro grande florescimento (ou ressurgimento) da doutrina de Ram. Porém, os tiranos sempre perseguiram as leis dos reformadores.

Zoroastro teve muitos discípulos. Um deles foi Odin ou Frigga, que foi à Escandinávia, onde preparou a vitória definitiva dos Celtas sobre os romanos. Odin compôs ou escreveu a mitologia dos povos nórdicos, sobre a qual Wagner alicerçou sua obra, muitos séculos depois.

A alta escola dos grandes sacerdotes foi o mazdeísmo, do qual Zoroastro é o pontífice revelador do Verbo Solar. Solar porque os centros esotéricos ortodoxos haviam considerado o Sol como o símbolo masculino, em oposto aos que tomaram a Lua ou a Pomba como o princípio de suas crenças religiosas. O mazdeísmo de Zoroastro salvou a ciência tradicional da época, porque conservou os livros sagrados dos povos.

Outro Iniciado que salvou o conhecimento secreto foi Moisés, no Egito. Os sacerdotes egípcios transferiram esse conhecimento secreto para o Tarot ou Torah, que nos chegou integralmente através dos Boêmios.

Do Avesta não nos chegou mais do que uma só parte dos 20 livros, devido à perseguição dos assírios, gregos e islamitas ao mazdeísmo e aos iranianos. Depois da conquista maometana da Pérsia, milhares de habitantes desse território fugiram para o oásis de Yezd e outros penetraram na Índia, onde formaram as colônias Pársis, as de Baroda, de Bombai e Surate. O Avesta data do século XVII a. C., está escrito em língua zende e trata de tudo isso que hoje, genericamente, chama-se Magia. Vem a ser a própria Bíblia mazdeísta. Tem sete capítulos sobre o Homem e o Universo, as sete faculdades morais e sete sobre a natureza física.

Zoroastro salvou os iranianos da ruína moral, como Moisés fez com os israelitas através da Bíblia ou do Gênese. Mas, se Moisés voltasse aos nossos dias e visse as besteiras que são atribuídas à sua obra, certamente destruiria o Gênese, como o fez simbolicamente com as tábuas da lei, posto que, como Iniciado, somente quis divulgar os princípios da Iniciação.

Dentre os israelitas, somente os essênios conservaram o verdadeiro sentido da Gênese até a vinda de Jesus. Os gregos não foram melhores que os judeus. Até a recordação de Orfeu acha-se desaparecida de suas memórias. Depois, na Grécia, veio Pitágoras, e fundou a célebre Fraternidade Iniciática de Crótona, começando novamente a luta entre Iniciados e políticos.

O cesarismo assírio foi sucedido por um poder mais perverso ainda: o da loba romana. A ambição romana fez com que declarasse guerra ao mundo inteiro. Todos os povos caíram vítimas de Roma. Numa [o imperador] quis imortalizá-la sem a força bruta, porém, seus sucessores ambiciosos e astutos não aceitaram esse caminho. Já era, pois, novamente tempo de a Providência divina reconstruir o Conhecimento. Veio então o Cristo Jesus, lançando seus adeptos ao assalto da fortaleza nemródica de Roma.

Pré-Cristianismo

A Doutrina do Cérebro foi divulgada por Krishna, Fo-Hi e Zoroastro para deter a selvageria crescente dos povos antigos. Cerca de 500 a.C. floresceu a Doutrina do Coração, com seus cultos de Magia Ritual instituídos por Numa em Roma, por Pitágoras na Grécia, por Esdras entre os hebreus, por Hermes no Egito, por Zoroastro (o último deles – pois existem vários) na Pérsia, por Gautama na Índia, por Lao-Tsé na China e por Son-Mau no Japão.

Nesse tempo, também foram organizadas as ordens laicas esotéricas, como os cabalistas, os pitagóricos, os néo-platônicos e os essênios. Todos possuíam uma relação muito íntima entre si. Foi nesse tempo que os Magos nos seus Colégios ouviram falar de um acontecimento cósmico que se avizinhava, que mudaria o mundo radicalmente, dividindo-o entre “antes” e “depois”.

Os astrólogos (ou astrônomos se preferirmos o termo atual) caldeus que estudavam os dois lados da natureza, o visível e o invisível, o físico e o metafísico, viram que algo de extraordinário reproduzia-se em nosso universo. Na época, sabia-se que a Terra ocupava um certo ponto do espaço celeste, e que muito longe havia sinais que formavam um círculo traçado ao redor da Terra e do Sol, ao qual deram o nome de zodíaco.

Os antigos sabiam que as almas dos planetas interzodiacais não podiam jamais sair do seu círculo, antes da vinda do Cristo. Essa corrente astral foi chamada de a Grande Serpente (ou Nahash em hebreu). Essa serpente, que morde a própria cauda, é a viva personificação da religiosidade antiga e dos alquimistas da Idade Média e figurava o limite das almas. Esse é o motivo pelo qual os antigos criaram a idéia do tempo, do destino e de tudo que está determinado (o karma).

— Porém, o que descobriram os sábios caldeus?

Os sacerdotes-magos caldeus examinando os astros que brilhavam no firmamento, viram uma Luz Imensa, que atravessava esses signos zodiacais, os quais, segundo uma antiga tradição, são guardados cada um por um Gênio. Eles viram que os guardiães das portas zodiacais fugiam espavoridos. É que sob a influência dessa luz produziu-se um fenômeno estranho: a cabeça da serpente foi achatada e fundida com sua cauda, no círculo anterior primitivo, debaixo da Terra.

Com isso, o caminho para o plano divino foi aberto e as almas puderam atravessar. Valentim, o gnóstico, alude a isso na Pistis-Sophia, quando relata as palavras de Jesus: “E o destino e a Esfera sobre os quais dominam (Adão e todos os tiranos) eu os mudarei e os porei olhando para a esquerda durante seis meses, cumprindo sua influência astral, e em seguida os porei seis meses mais a olhar à direita cumprindo sua influência astral”. Por isso, diz Samael no seu livro Los Mistérios Mayores, que “Jesus veio abrir ou mostrar publicamente os Mistérios, permitindo que qualquer pessoa interessada ingressasse na Senda da Iniciação”.

Essa também é a chave do Credo cristão, que afirma que o Cristo desce ao inferno para libertar as almas dos justos. Dessa maneira, uma Luz radiante invadiu o Plano Astral de nosso sistema solar, e os Guardiães das portas da morte, os servidores da Serpente, fugiram cegados. A vestimenta de Luz que cobre o Enviado dos planos celestes chegava aos nossos signos zodiacais. O Céu finalmente escutara as queixas de Pistis-Sophia, e o Redentor veio a encarnar-se. Sua estrela do céu invisível guia os Magos para o ponto de encontro dos três continentes e todos os centros de comunicação astro-terrestres cessam de funcionar. Tudo se cala…

Jesus e os Essênios

— Por que e de onde vierem os Reis Magos, conforme descreve São Mateus em seu Evangelho?

Segundo as Escrituras antigas, “tu serás o sintetizador divino. Tu vais para construir os cultos mágicos dos antigos. Tu vais permitir à esfinge sair de sua imobilidade e a raça branca vai reconstruir sua síntese de tua luz. Tu és Jesus, Rei Espiritual e Salvador, cujo nome foi escrito há mais de vinte mil anos sobre as estrelas do céu. Tu serás o Verbo celeste. Nós, os Reis Magos, representantes de cada uma das tradições anteriores, em nome da raça Vermelha (atlante), da raça amarela (as duas primeiras) e da raça negra (lêmures), nos prostramos e te consagramos o Salvador da Raça Branca (ariana) e o Iluminador das humanidades em todos os planos”.

Depois de romper o Círculo da Serpente, o Salvador do Mundo nasceu na Judeia, para ensinar ao Homem o caminho de regresso ao Pai ou à União (ioga) consciente com a divindade. Sabemos que muitos negam a realidade da vida física ou corpórea de Jesus. Isso não interessa de forma alguma.

São historiadores científicos que devem realizar essa tarefa; entretanto, a Ciência tem demonstrado essa realidade como verdadeira. Em sua infância, Jesus recebeu ensinamentos dos essênios, uma comunidade de sábios que formavam a terceira seita entre os fariseus e os saduceus…

Os fariseus eram os comerciantes da época, que iam todos os sábados ao templo para vender ali seus produtos. Quando viam um profeta, apedrejavam-no ou o matavam à facadas, conforme costume da época. Os saduceus eram os filósofos céticos e materialistas, que não acreditavam em quase nada, mas se sentiam autoridades em tudo, como os intelectuais do nosso tempo.

Os essênios eram os místicos, constituindo uma Fraternidade semelhante à dos Pitagóricos. Só os essênios tinham conhecimento perfeito da sua língua, a hebraica. 500 anos depois de Jesus, o Sepher ainda não havia sido traduzido. Esdras tratou disso, mas não pôde fazer mais que um trabalho primitivo.

Como membros de uma Sociedade Secreta, os essênios tinham juramentos, sinais de reconhecimento, roupas especiais e normas a seguir. Comunicavam-se secretamente com os membros de outras Ordens Iniciáticas, e assim tinham intercâmbio e comunicação contínua com os pitagóricos, os neo-platônicos e os alexandrinos. Na idade de 12 anos, Jesus foi ao templo com os demais essênios.

Outra questão controversa é se Jesus foi ou não foi à Índia. Alguns acreditam que ele nunca tenha estado lá, pois os essênios não tinham nada a aprender com os hindus. Jorge Adoum, inclusive, é enfático ao dizer que, dos 12 aos 30 anos, o Mestre esteve percorrendo a Europa e suas escolas de Mistérios, de onde pôde formar uma grande síntese.

O V.M. Samael afirma que Jesus percorreu o Egito, a Índia e o Tibet, além da Europa buscando conhecimentos. Cumpre notar que a doutrina cristã possui muitos elementos budistas, tibetanos e maias. Para Samael Aun Weor, o “Eli, Eli lama sabactani” exclamado por Jesus, no derradeiro momento no monte Calvário, é maia. Fica a pergunta: onde e como Jesus aprendeu a língua maia?

A Gnose de Jesus

Todos os ensinamentos de Jesus estão gravados na memória da Natureza. Por esse fato mesmo, de estar escrito na tela da natureza, os evangelhos de Buda, de Jesus e de todos os Enviados são eternos. Poderão passar os céus e a Terra, porém, nenhuma vírgula desse ensinamento desaparecerá.

Assim, de nada adianta os tiranos e os governos do mundo perseguirem os Iniciados – cada qual a seu modo, de acordo com a época – pois esses Ensinamentos, ou Gnose, não podem ser apagados. Pelo contrário, quanto mais sangue for derramado, mais forte e duradoura será a doutrina, pois o mandamento oculto diz “escreve com sangue e jamais se apagará”.

Jesus, como todo Iniciado, falou ou ensinou em três níveis ou câmaras: À gente simples. Aos intelectuais, sacerdotes e governos. Aos preparados ou Iniciados.

Como Mestre, podia atender aos doentes, curando-os de seus males. Lamentável que teve que deixar esse ensinamento de medicina universal escrito em chaves nos seus evangelhos. Assim, até agora, as massas não puderam ter acesso ao mesmo.

Interessante observar também que Jesus é o único em torno do qual se agrupam todos os partidos políticos, religiões e escolas do mundo. Para o adepto do mesmerismo, Ele é e foi o maior de todos; para o médico, Ele nunca foi derrotado por doença alguma; para os fãs de Houdini, ninguém superou sua façanha de ter saído do sepulcro após ter sido dado como morto; para o espírita, Ele foi o maior médium, e assim, sucessivamente, com o psiquiatra, o socialista, o comunista, o democrata, o anarquista, etc. Cada um de nós O aprecia segundo o nosso modo de ver as coisas.

Jesus dominou as doenças e a própria morte, fazendo ressurgir Lázaro; e, ao mesmo tempo, disse-nos que poderíamos ser iguais a Ele, se nos dispuséssemos a seguir os seus passos (“vai vende tudo que tens, dá aos pobres, e siga-me”; “quem quiser vir após Mim renegue a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me”).

Os seus milagres encerram a mais Alta Ciência preconizada por Eliphas Levi e todos os Teurgos. Porém, Ele não é Deus porque faz milagres e opera prodígios, mas sim pela sua obra e pelo seu divino amor. Muitos homens têm feito os mesmos prodígios que Jesus, porém, ninguém jamais O igualou em seu amor impessoal e divino.

Jesus, em seus Mistérios Iniciáticos, afirmou o culto da Igreja de Melquisedeque, cuja ação direta consiste na comunhão do invisível com o visível e do visível com o invisível. Com esses ensinamentos, Jesus derrubou o poder de todo o sacerdócio da época e a sua autoridade, que lhes autorizava a falar em nome de Céu. Com isso, ensinou como deve o homem comunicar-se com o invisível sem a ajuda e sem intermediários e sem pagamentos por orações realizadas.

É por isso – por seus ensinamentos, por sua doutrina – que foi julgado e condenado por uma assembleia de fariseus que temiam, justamente, a perda do poder temporal.

Um outro Mistério revelado, ou entregue pelo Mestre Jesus ou Joshua, diz que “ninguém pode elevar-se se não descer do alto”. Isso Samael afirma e reafirma com sua famosa frase (entre os gnósticos atuais): “para subir é preciso descer”. Portanto, deixemos os ingênuos darwinistas acreditarem que a evolução começa de baixo, e que o símio pode chegar a ser homem.

Porém, nada evolui se a condição superior não é duas vezes maior que a inferior. Necessita-se da dor e do sofrimento voluntários para elevar-se. Já nos referimos a isso, através da palavra “sacro-ofício”. Jesus morreu sofrendo todas as abominações das leis humanas, injustas, como narram os evangelhos. Porém, Jesus ressuscitou. “… dou minha vida para tornar a tê-la. Ninguém a tira de Mim, mas eu de mim mesmo a dou”. Isso refere-se à existência de um certo poder, conhecido por alguns grandes Adeptos, que faculta desintegrar à vontade a matéria física.

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