Reencarnação e retorno

reencarnacaoMesmo hoje, num tempo de grande abertura cultural, científica e religiosa, há ainda quem peça provas “científicas” de que a reencarnação exista. O mais interessante, cumpre notar, é que os que pedem tal prova são os que menos prova dão da autenticidade de suas crenças, dogmas e teorias.

É demonstração de tolice e ignorância querer “prova” sobre um assunto tão transcendental como o é reencarnação. No fundo, querem essas pessoas acreditar no infinito quando este tenha se tornado finito – algo impossível. Além do mais, cadê as “provas” dos absurdos que dizem certos “cientistas” acerca de suas teorias?

Pior que isso: milhares de pessoas lembram suas vidas anteriores e ainda há quem peça provas. Os incrédulos não aceitam provas, mesmo que elas sejam apresentadas aos milhares. Se hoje alguém prova uma coisa, amanhã outro prova outra, num eterno jogo sem nenhuma relação com a realidade da vida. Além disso, não há como “provar” nada aos cegos e adormecidos. É perda de tempo. Por isso, não provamos nada nem queremos dar prova de nada. Quem quiser comprovar, o fará por si só, aprendendo e vivendo a verdade ensinada pelo Cristo.

Pior de tudo é que nesse jogo absurdo não faltam aqueles que acreditam em teorias descabeladas, como a da origem do homem, que defende a idéia de uma absurda ascensão do reino animal sobre o reino humano [como se o macaco pudesse gerar um humano]. Seria o mesmo que dizer que os Anjos ou os Deuses descendem dos Homens.

O que diz a ciência

Por enquanto, o único meio de se conhecer as vidas passadas é lembrando-se delas. Isso exige um certo treino de memória, um mergulho ao próprio subconsciente – “algo perigoso” no entender de alguns psicólogos [e estão certos]. Em alguns países, como no Canadá, insere-se uma agulha em determinada região cerebral, e a pessoa se lembra de cenas de suas vidas passadas. É como se os impulsos elétricos, liberados pela agulha no cérebro, acionassem certas regiões do córtex, despertando a lembrança de antigas e passadas atividades. Porém, os céticos religiosos e materialistas aceitam isso como prova?!?

Como todos sabem, até o momento ainda não se inventou nenhum aparelho para se visitar vidas passadas ou estudá-las na memória da natureza, embora isso não esteja tão distante assim das conquistas da ciência. Assim, resta-nos só uma alternativa: cada qual deve buscar suas próprias provas e suas vivências pessoais. É o que aborda amplamente estes posts: COMPROVAR POR SI MESMO [até mesmo porque “provas” podem ser forjadas e aquilo que a gente toca pessoalmente, não].

É sabido também que os “parapsicólogos” católicos e os “teólogos” jogam tudo que se relaciona à reencarnação na vala comum do “código genético”; pois deveriam fazer o mesmo com suas crenças. Se possuíssem formação holística, esses “parapsicólogos” e “doutores em Deus” compreenderiam e saberiam que o “código genético”, sua muleta predileta, é, precisamente, a forma como a Lei Divina perpetua as vidas humanas, animais, vegetais e minerais em toda a Creação.

É hora, estimados leitores, de nos tornarmos sérios. O caminho espiritual nada tem a ver com isso que chamam de “ciência”. Isso que chamam de ciência não pode ser usado como método de investigação nos mundos superiores. A ciência é empírica, mecânica, materialista. Logo, não pode ir além da esfera tridimensional dos objetos que estuda. Joseph Banks Rhine criou a parapsicologia justamente para resolver esse problema. Mas alguns insistem em aplicar postulados científicos apenas onde é conveniente aos seus próprios dogmas.

Devemos partir do princípio que qualquer realidade, fenômeno, explicação, tese ou revelação, deve, obrigatoriamente, ser coerente com a natureza e suas leis. Qualquer afirmação ou postulado que contrarie a natureza não pode ser verdadeiro, porque vai contra as leis divinas e, sabemos, Deus não nega a si mesmo porque deixaria de ser Deus. Evidência disso: Se um homem não gera um Deus, um macaco não gera um homem, nem uma árvore gera um animal.

Portanto, pregadores do absurdo, reexaminem suas teses e seus preceitos; levantem vossos olhos dos livros adulterados e olhem para longe, para o Infinito e contemplem Deus e sua maravilhosa Creação; ampliem a visão, abram suas mentes e seus corações e deixem que a natureza vos mostre seus segredos e tornem-se dignos de recebê-los.

Deveriam os “doutores” teólogos ter em mente, por exemplo, que a reencarnação foi abolida dos evangelhos canônicos já no século IV depois de Cristo, num dos primeiros Concílios da Igreja. Logo, saibam que o que tanto eles negam hoje, um dia já foi parte de sua doutrina. Lembrem-se, também, que os cristãos primitivos daquele tempo, que se opuseram à mutilação dos evangelhos do Cristo, foram qualificados de hereges, e suas obras, consideradas apócrifas. Mas, a verdade e a realidade ainda está em sua Igreja, enterrada em velhos pergaminhos da sua famosa biblioteca, no Vaticano, onde não querem ver.

Vejamos, agora, alguns estudos de pessoas sérias e devotadas à ciência, sem abrir mão da religiosidade natural do ser humano. Jean Millay, por exemplo, é uma estudiosa da matéria. Durante mais de 6 anos lecionou parapsicologia na Northern University, na Califórnia, tendo realizado diversas pesquisas com seus alunos. Tempos atrás, quando esteve no Brasil, para participar da prévia do Congresso Internacional de Parapsicologia e Psicotrônica, declarou: “Certas pessoas receiam a morte, mas quando compreendem que já passaram da vida para a morte e desta para a vida repetidas vezes começam a perder o medo”.

A Universidade de Virgínia, nos EUA, também tem uma vasta experiência e uma série de estudos realizados sobre “viagens fora do corpo”, e é baseado neles que a dra. Ross constatou, após estudos pessoais, que “há vida após a morte”. Porém, entre tantos outros estudiosos, queremos destacar aqui o trabalho da médica e psicóloga americana Hellen Wanbach, a quem seus pacientes, quando submetidos à regressão de memória, afirmaram ter escolhido seus próprios pais antes do nascimento. Eis um diálogo mantido entre a dra. Hellen e uma paciente:

— Você escolheu nascer?
— Sim, escolhi. Parece ser esse o destino dos seres ajudados, mas eu sabia que teria que fazer uma escolha.
— Como se sente diante da perspectiva de um novo nascimento?
— Sinto-me um tanto conformada. Não me sinto alegre, mas também não estou triste.

A própria dra. Hellen testemunha: “Minhas pesquisas me mostram que algo novo está crescendo enquanto as antigas estruturas entram em colapso. Este algo novo parece ser o raiar de uma consciência da existência que se encontra além de nossa estreita vida física de receber e gastar; de fome de poder e segurança; de medo de enfermidades e da morte. Cada um de nós está ligado, através da consciência, aos vastos horizontes e incontáveis “cidades de Deus”, no universo além de nossos sentidos”.

A Reencarnação na Filosofia

Até a metade do século XX, no Ocidente, somente a Filosofia se interessou pela reencarnação, além de algumas correntes de cunho religioso que mais se apoiavam na crença que na realidade e na lógica transcendentais. Vejamos agora algumas dessas correntes filosóficas e suas propostas:

  • Transmigração
    • Passagem de um corpo a outro, segundo a doutrina de Pitágoras.
  • Pré-existencialismo
    • Doutrina segundo a qual as almas foram produzidas antes de serem infundidas nos corpos. Platão, em Fedom, diz: “(…) antes da alma descer ao corpo e nele se submergir houve de existir lá na região pura das ideias (…)”.
  • Metempsicose
    • O homem primeiro se encontra na região da matéria bruta; desse estado passa à matéria vegetal. Dura anos nesse estado até não mais se lembrar do que foi no estado mineral a causa da luta. Logo, de planta passa à animal, e o estado de vegetal não lhe vem à memória senão pela inclinação que sente pela terra (inclinação esta semelhante a que a mãe sente pelo filho). Novamente do estado animal é tirado para o humano. Um dia abandonará a inteligência humana, sofrerá transformações, atravessará milhares de existências até que, por fim, seja salvo pela Pura Inteligência cheia de amor e desejo” .
  • Animismo
    • Esta é uma doutrina filosófica segundo a qual à alma humana se atribuem identidade, unidade, substancialidade, espiritualidade, simplicidade e imortalidade que a tornam como forma substancial do organismo, assinalando-lhe as qualidades de ser princípio primeiro de todas as operações do composto humano. Aristóteles, com seu tratado Da Alma, é o criador do animismo.
  • Panteísmo
    • Este sistema identifica totalmente ou tende a identificar totalmente com Deus todas as coisas.
  • Emanatismo
    • Sistema filosófico-religioso adepto da creação por emanações (de ondas de vida, poderíamos acrescentar).
  • Ontologia
    • Parte da Metafísica que trata do Ser em geral e de suas propriedades transcendentais. A ontologia vem a ser a ciência ou o estudo do Ser.

O Dogma da Ressurreição

O mundo ocidental, de tradição e formação católico-cristã, está acorrentado ao dogma da ressurreição, segundo a visão da sua Igreja. Ora, o dogma da ressurreição dos vivos e dos mortos está calcado em cima da ressurreição de Jesus. Apoiados nisso, os teólogos cristãos defendem que um dia todos os mortais ressuscitarão. Algo impossível, visto que o próprio livro sagrado alerta, e a Igreja confirma na Quarta-feira de Cinzas, que “és pó e ao pó retornarás”.

O que existe é uma terrível confusão aliada à ignorância sobre a natureza de Jesus e de seu processo de cristificação. São Tomás de Aquino diz que “o homem que há de ressuscitar deve ressurgir perfeito”. Ora, a perfeição só existe em Cristo; para se cristificar, é preciso encarnar o próprio Cristo – um Mistério que só aqueles privilegiados que frequentam a biblioteca secreta do Vaticano conhecem. Claro, isso é o que sempre ensinou e ainda hoje ensina a Gnose Cristã.

Santo Agostinho confirma: “Os elegidos ressuscitarão em toda a perfeição da natureza”. Por mais incrível que pareça, a própria Igreja confirma que o homem não será perfeito se a alma não voltar e se unir com seu corpo. Só que isso deve ser feito em vida. A origem de toda a polêmica está na questão ou na crença errônea de que o homem já possui sua alma. Sim, um homem tem alma (Essência) mas não a possui. Diz o ensinamento oculto que todos os seres humanos têm alma mas poucos a possuem (ou a tem encarnado em si mesmos).

A ressurreição é só para homens perfeitos, que se realizaram em si mesmos, que se uniram com sua alma divina e imortal. Quando, mais adiante falarmos da Iniciação, esclareceremos em profundidade toda essa questão. Por ora, limitemo-nos ao exposto. Agora, pensar e pregar que algum dia, num futuro remoto, os cadáveres sairão de suas tumbas, isso é desconhecer por completo qualquer doutrina espiritual, seja qual for. Isso sim é uma crença absurda, uma impossibilidade científica, matemática e espiritual.

A Reencarnação e o Retorno

O Bhagavad-Gita – o sagrado livro do Senhor Krishna – diz textualmente o seguinte: “O Ser (Atman) não nasce, não morre, nem se reencarna. Não tem origem, pois é eterno e imutável, o primeiro de todos; mesmo quando lhe matam o corpo físico, continua existindo”.

Há uma outra passagem do Senhor Krishna: “Tal como alguém que se despoja de suas roupas velhas, vestindo-se com outras novas, o Ser deixa seu corpo alquebrado e entra em outros corpos”.

Veja-se agora esta passagem do evangelho canônico, para que não fique dúvida de nossos sadios propósitos:

“E saiu Jesus e seus discípulos para as aldeias da Cesaréia de Filipo. No caminho perguntou Jesus:
— Quem dizem os homens que eu sou?
E eles responderam:
— João Batista; e outros, Elias; e outros ainda, um dos Profetas.
— E vós, quem dizeis que eu sou?
Respondeu Pedro:
— Tu és o Cristo”.
(Evangelho de São Marcos)

Continuamos com o Bhagavad-Gita: “Ao deixar o corpo, tomando a senda do fogo, da luz, do dia, da quinzena luminosa da lua e do solstício setentrional, os conhecedores de Brahmâ vão à Brahamâ”.

Isso significa que o yogue que morre e segue pelo caminho do fumo ou da quinzena obscura da lua ou do solstício meridional, chegará, fatalmente, à esfera lunar, retornando em seguida a este mundo de carne e osso. Esses dois caminhos devem ser considerados permanentemente. O primeiro leva à emancipação e o segundo ao retorno. Sem mais rodeios, podemos declarar que o Ser, encarnado nalguma criatura perfeita, pode voltar a se reencarnar. “Quando o Senhor (Atman) toma um corpo ou o deixa, ele se associa com os seus sentidos ou os abandona, indo-se como a brisa que leva consigo o perfume das flores”.

“Dirigindo os ouvidos, os olhos, os órgãos do tato, do gosto, do olfato e também a mente, ele experimenta os objetos dos sentidos”.

“Os ignorantes, alucinados, não veem quando Ele toma um novo corpo, deixa-o ou faz experiências. Por outro lado, aqueles que têm os olhos da sabedoria, veem-No”.

Como testemunho extraordinário da doutrina da reencarnação bem vale a pena meditar neste versículo de Krishna: “Ó Bharata, todas as vezes que as religiões decaem, prevalecendo a irreligião, encarno-Me novamente para proteger os bons, destruir os maus e estabelecer a verdadeira religião. Por isso reencarno-Me em diferentes épocas”.

De todos esses versículos do Senhor Krishna e do evangelho de São Marcos, acima apresentados, tiramos as seguintes conclusões:

  • Os conhecedores de Brahmâ (os que encarnaram seu próprio Ser) vão à Brahmâ; se quiserem voltar, para trabalhar numa grande causa, assim podem fazer, pois são livres para escolher.
  • Quem não dissolve o ego, depois da morte seguirá o caminho do fumo e da lua negra, retornando, obrigatoriamente, a este mundo, pois não têm direito à escolha.
  • Só o Ser tem direito à reencarnação; o ego retorna, reincorpora.

Mesmo com a eliminação das passagens mais claras sobre a doutrina da reencarnação nos textos canônicos dos evangelhos católicos ainda é possível encontrar vestígios de que a reencarnação é possível – pelo menos entre os Profetas.

Reencarnação é uma palavra bastante exigente; reencarnação é para aqueles que atingiram a individualidade; significa “incorporação do divino no humano”. A humanidade como um todo retorna, pois ainda não atingiu o Adeptado ou a individualidade. Para atingir a individualidade é preciso encarnar o Ser.

A morte significa recomeçar uma nova vida com possibilidades de se repetir todos os acontecimentos da existência precedente. Acrescente-se a eles suas consequências, positivas ou negativas.

A repetição de dramas, cenas e tragédias é um axioma da lei do retorno ou da recorrência. Os protagonistas dessas encenações são as diferentes entidades que formam nosso ego. Acabemos com a trupe e não mais haverá espetáculos.

Se na passada existência, aos 25 anos, tivemos uma aventura amorosa, é normal que nesta vida o eu de tal compromisso buscará o outro eu dos seus sonhos aos 25 anos. Nesse caso, os eus dele e dela se buscam telepaticamente até se reencontrarem e repetirem a mesma cena amorosa. Uma paixão a primeira vista é um bom exemplo disso.

Lamentavelmente nossa personalidade, que deveria servir ao Ser, tornou-se escrava da legião de eus e instrumento pelo qual esses eus pagam seus compromissos. Essa mecanicidade deve ser rompida, se quisermos, de fato, que um novo sol brilhe no céu de nossa vida.

A lei da recorrência e do carma obedece a esse processo cíclico. É assim que pagamos nossos compromissos e é assim, o pior de tudo, que assumimos novos compromissos e novas dívidas para serem pagas no próximo retorno.

No mais, devemos sempre continuar trabalhando intensamente, fazendo a parte que nos cabe, para que os resultados se tornem realidade dentro do nosso universo interior.

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