Cosmogênese – Despertando para um novo dia

A última Vibração da Sétima Eternidade palpita através do Infinito. A Mãe entumesce e se expande de dentro para fora, como o Botão de Lótus.

O AbsolutoAinda que a Eternidade em si (o Absoluto) não tenha tempo, nem possa ser dividida, quando se refere a ciclos cósmicos é aceitável essa expressão como ideia de proximidade de um Novo Dia Cósmico, determinado não por um Deus específico, mas sim, em virtude das leis que regem os períodos de atividade e de repouso do universo, denominados Dias e Noites de Brahman [as quais são insondáveis aos humanos]. Quando a Mãe Cósmica, quando as Águas do Espaço, quando a Matriz Universal dá à luz um novo Dia Cósmico não significa que haja uma expansão a partir de um ponto dado do Espaço, mas sim, a passagem da inatividade para a atividade, da não-forma para a forma, do repouso para a ação. Simplesmente, galáxias, sóis, planetas, universos começam a se formar a partir dos Torvelinhos Cósmicos, gerados pelo Verbo dos Cosmoscratores, os Santos Elohim da criação.

A Vibração se propaga e suas velozes Asas tocam o Universo inteiro e o Germe mora nas Trevas, as Trevas que sopram sobre as adormecidas Águas da Vida.

Assim como na aurora os raios do sol gradativamente vão dissipando as trevas e as sombras, no amanhecer do Dia Cósmico, o Verbo, o Exército da Voz, aos poucos alcança o universo inteiro, despertando à vida as Sementes Primordiais que dormitavam no Ventre ou nas Águas da Mãe Espaço.

As Trevas irradiam a Luz e a Luz emite um Raio solitário sobre as Águas e dentro das Entranhas da Mãe. O Raio atravessa o Ovo Virgem, faz o Ovo Eterno estremecer, e desprende o Germe não Eterno, que se condensa no Ovo do Mundo.

É como o Espírito de Deus pairando sobre as Águas para torná-las fecunda; é como o calor que faz chocar o ovo, do qual surge a Creação sem mácula. O “Ovo Virgem” é o símbolo do protótipo do macrocósmico, o Caos do Primeiro Instante. O Creador Masculino – não importa seu nome – faz brotar da Virgem Mãe a Raiz sem mácula, fecundada pelo Raio Gerador.

Os Três caem no Quatro. A Essência Radiante passa a ser Sete interiormente e Sete exteriormente. O Ovo Luminoso, que é Três em si mesmo, coagula-se e espalha os seus Coágulos brancos como o leite por toda a extensão das Profundezas da Mãe – a Raiz que cresce nos Abismos do Oceano da Vida.

As vezes os números são grandezas matemáticas, outras vezes símbolos mitológicos que encobrem grandezas maiores. Chamado à vida, o Logos Demiurgo, o Santo Okidanokh, polariza-se em três forças distintas (Triamazikamno). Onde essas três forças tornam a se encontrar, surge a vida. No microcosmos, essas três forças estão encarnadas no homem, na mulher e nos órgãos geradores de ambos. Depois, a Lei do Sete (Heptaparaparshinokh) ordena, organiza. No homem, esse desdobramento está representado pelo Quaternário Inferior, o Carro de Mercavah. Assim, uma vez o Ovo Luminoso ter sido fecundado, coagula-se, dando origem aos mundos, universos, galáxias, sistemas solares, etc.

A Raiz permanece, a Luz permanece, os Coágulos permanecem, e não obstante, Oeaohoo é Uno.

Mesmo tendo sido fecundado o Caos, que é o Ovo Cósmico, e este ter gerado os mundos, o Espaço permanece sempre virgem. Existe o desdobramento ou o processo de emanações sucessivas, porém tudo continua igual. Enfim, “a variedade é a unidade“. Oeaohoo é o “Pai-Mãe” dos Deuses, o Hálito Incessante que une a Creação ao Absoluto, a Primeira Derivação – por isso é o Mais Jovem, “que tu conheces agora como Kwan-Shai-Yin“, o Chrestos Cósmico, Avalokitesvara.

A Raiz da Vida estava em cada Gota do Oceano da Imortalidade e o Oceano era Luz Radiante, que era Fogo, Calor e Movimento. As Trevas se desvaneceram e não existiram mais; sumiram-se em sua própria Essência, o Corpo de Fogo e Água, do Pai e da Mãe.

É das Trevas que brota a Luz e, por isso mesmo, onde houver Luz, ali haverá Trevas espessas, porque Deus esconde-se atrás de sua Creação. Porém, o que é a Luz? O que contém a Luz? – Matéria Primordial fecundada, vida, som, eletricidade, magnetismo, etc. Deus é sempre o Uno e a Multiplicidade, é Fogo e Água, é Pai e Mãe.

Vê, ó Lanu, o Radiante Filho dos Dois, a Glória refulgente e sem par, o Espaço Luminoso, Filho do Negro Espaço que surge das Profundezas das Grandes Águas Sombrias! É Oeaohoo, o mais Jovem. Ele brilha como o Sol. É o Resplandecente Dragão de Sabedoria. O Eka é Chatur e Chatur toma para si o Tri, e a união produz o Sapta, no qual estão os Sete, que se tornam o Tridasha, as Hostes e as Multidões. Contempla-o levantando o Véu e desdobrando-o de Oriente a Ocidente. Ele oculta o Acima e deixa ver o Abaixo como a Grande Ilusão. Assinala os lugares para os Resplandecentes e converte o Acima num Oceano de Fogo sem praias, e o Uno Manifestado, nas Grandes Águas.

Contempla, ó Lanu (discípulo) a glória da Creação que brota do Caos fecundado pelas Águas Seminais do Primeiro Instante. Os mundos, os universos e as galáxias sempre brotam do insondável abismo, as Negras Águas da Eterna Mãe Espaço, Nut, o Feminino Cósmico. Igualmente, os Deuses são Filhos da Mãe antes de se tornarem Filhos do Pai. Do Imanifestado surge o Três-Em-Um, o Demiurgo, o Dragão de Sabedoria, que é Um (Eka), que é Quatro (Chatur), que toma para si o Três (Tri), de cuja união deriva o Sete (Sapta), do qual se tornam o Tridasha (trinta, três vezes dez ou, mais exatamente, 33 – um número sagrado por que faz alusão aos 33 crores ou 330 milhões de Deuses e Deusas do panteão hindu, símbolo da multiplicidade divina no universo. O Acima jamais é visto pelos olhos dos mortais que sempre são atraídos pela ilusão do Abaixo, no eterno jogo da sedução dos sentidos, que gera o apego, o desejo, fazendo aparecer as nidanas ou causas da existência, escravizando o homem à Roda de Samsara.

Onde estava o Germe, onde, então, se encontravam as Trevas? Onde está o Espírito da Chama que arde em tua Lâmpada, ó Lanu? O Germe é Aquilo, e Aquilo é a Luz, o Alvo e Refulgente Filho do Pai Obscuro e Oculto.

Deus sempre se oculta em sua própria Creação. Se já existe Luz, onde ficaram as trevas? Se a criatura já veio à vida, onde ficou o Creador? Se és um Filho do Universo, onde está teu Pai? Se és uma Chispa Divina, onde está a Chama (a origem desconhecida) que arde dentro de ti e da qual, ó Lanu, és o vivo e grosseiro prolongamento aqui neste mundo de Maya? Se queres saber as respostas, busque-as dentro de ti. Quando achardes, terás logrado o autoconhecimento e te será possível a redenção das nidanas.

A Luz é a Chama Fria, e a Chama é o Fogo, e o Fogo produz o Calor, que dá a Água – a Água da Vida na Grande Mãe.

A Luz sempre é a Matéria Primordial fecundada. Por isso, não possui ainda as qualidades físico-químicas por nós conhecidas, que só aparecem nas diferenciações posteriores.

O Pai-Mãe cria uma Tela, cujo extremo superior está unido ao Espírito, Luz da Obscuridade Única, e o inferior à matéria, sua Sombra. A Tela é o Universo, tecido com as Duas Substâncias combinadas em Uma, que é Svabhavat.

Toda a Creação é filha do Absoluto. Por conseguinte, a Ele continua ligado. Na realidade, continua sendo o Absoluto, porém, em forma diferenciada, relativa ao plano e dimensão que ocupa. O Raio da Creação começa no Absoluto e termina nos Infernos Atômicos, como veremos em Posts futuros. Toda a Creação é urdida, criada, feita, construída a partir da união do Eterno Masculino com o Eterno Feminino. E isso se aplica para tudo. É a Alquimia Cosmogônica que inspira e regulamenta a alquimia humana que também será abordada em Posts futuros.

A Tela se distende quando o Sopro do Fogo a envolve e se contrai quando tocada pelo Sopro da Mãe. Então os Filhos se separam, dispersando-se, para voltar ao Seio de sua Mãe no fim do Grande Dia, tornando-se de novo uno com ela. Quando esfria, a Tela fica radiante. Seus filhos se dilatam e se retraem dentro de Si mesmos e em seus Corações; elas abrangem o Infinito.

A Tela ou Creação se expande durante o Dia Cósmico, que se caracteriza por um ciclo de “atividade“. Ao chegar a Noite Cósmica tudo se recolhe ao Grande Ventre da Mãe Espaço, que é o mesmo Infinito. Por sucessivos influxos provenientes desde o seio do Absoluto, a Tela fica Radiante com os frutos (mundos, sóis, galáxias, planetas) que são produzidos durante o Dia.

Então Svabhavat envia Fohat para endurecer os Átomos. Cada qual é uma parte da Tela. Refletindo o “Senhor Existente por Si Mesmo” como um Espelho, cada um vem a ser, por sua vez, um Mundo.

Deus se faz presente em toda a Creação justamente porque tudo é derivado dele mesmo e, ao mesmo tempo, é Ele mesmo. Como é acima é abaixo, e como é dentro, é fora.

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