O Medo e a imitação

LÂMPADAEduzir ou desenvolver capacidades e potencialidades natas do ser humano só é possível mediante uma educação holística e em ambientes onde não haja medo. O homem, por natureza, é um imitador.

É factual que a criança aprende muito mais com o exemplo do que com a palavra. Mas, copiar significa deixar de ser a gente mesmo; quando copiamos, deixamos de ser autênticos; quando copiamos, imitamos. E se não formos estimulados na direção reta, sempre seremos imitadores.

A criança imita de forma natural, sem coação, sem medo. Essa fase ou processo natural dura enquanto durar a infância. Aqui deveria entrar a educação para fazer a passagem da imitação para a fase da criação ou exercício da criatividade.

Infelizmente, isso não é feito. Ao contrário, as crianças são induzidas ou adestradas a continuar imitando e copiando pelo resto de seus dias – como se educar fosse copiar ou imitar.

Criar é captar o essencial, o abstrato, a alma das coisas e dos seres. Criar é achar o “novo”, o “desconhecido”, o “inusitado” de cada momento, de cada fenômeno, de cada realidade, sem aprovação, sem censura, sem competição e, sim, pela alegria mesma de ser e estar vivo e participando da vida e tendo consciência das razões pelas quais veio ao mundo.

Uma educação holística harmoniza os aspectos criativos com as imutáveis leis universais. Alguém já disse que a liberdade consiste no respeito e na aceitação voluntária das leis.

Dentro da visão holística, aceitar equivale a compreender ou saber por experiência própria que certas coisas, certos princípios, certos procedimentos só podem ser feitos de um determinado jeito. Portanto, é preciso conhecer e compreender as leis que regem a vida e que sustentam o universo.

Um dos maiores fatores de restrição da liberdade é o medo. O medo existe onde há ignorância, desconhecimento. O medo é um dos grandes alimentadores do processo de imitação. Sempre é mais fácil, mais simples, mais cômodo e mais conveniente seguir a correnteza da vida que abrir o próprio leito.

Criar, inovar, ousar, implicam em sair da massa, do lugar comum, da mesmice, desconectar-se da manada e ser diferente. Esse drama é antigo. O próprio grande e Sagrado Mestre Jesus já comentava com seus discípulos:

“Ninguém constrói uma cidade no alto da montanha para ficar escondida; ninguém acende um candeeiro para colocar debaixo da cama mas sim para colocar no lugar mais alto da casa para iluminar todo o aposento; de que vale o sal se perdeu a propriedade de salgar?”.

Perder o medo ou estudar e compreender os medos é uma das primeiras providências que o estudante deve tomar para crescer na vida espiritual, para eduzir as possibilidades de seu próprio ser porque libertar-se ou ser livre é assumir o que traz dentro de si, ser o que é.

Se estamos ou queremos subir a montanha não há como não sermos vistos e visados. Se queremos ser a luz do mundo não adianta nos escondermos debaixo da cama. Se queremos ser o sal da terra temos que salgar.

Libertar-se é abrir mão de ideias, conceitos, modelos e sistemas tradicionais; romper, no bom sentido, limitações de família, sociedade, religião, educação, ciência, filosofia, arte, etc. Libertar-se é desapegar-se do falso conceito de si mesmo, da autoimagem, da auto ideia, da autoconsideração.

Libertar-se é centrar a vida na Consciência, no próprio Ser, fazer seu próprio conhecimento e pensar e agir por si mesmo, brilhar com sua própria luz – ser sol e não planeta.

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