A ilusão mental do Status Social

prometeu_acorrentado1É triste a realidade atual do ser humano, acorrentado a dura rocha da existência humana. Somos escravos do desejo de ter fama, de ter poder, status, admiração, adoração, aceitação, entre tantos outros adjetivos que podemos citar aqui… É interessante perceber como fantasiamos nossa realidade social e profissional, nos orgulhando da nossa posição, do nosso cargo.

Quando nos encontramos com alguém, não perdemos a oportunidade de falar do nosso trabalho, das nossas atribuições, do nosso cargo. Temos uma necessidade crônica de mostrar a todos que estão ao nosso redor que estamos bem, de projetar a todos eles as nossas fantasias para o mundo.

De acordo com os nossos conceitos, e os da sociedade, uma pessoa que ocupa um cargo de destaque, que trabalha em empresa conceituada, mora em um bairro nobre, é uma pessoa de destaque, alguém importante e admirado. Inseridos na ilusão do mundo e cegos pelo desejo de possuir, não enxergamos a realidade.

Que, verdade seja dita, nem queremos vê-la. Somos todos escravos dos conceitos impetrados e enraizados da sociedade. Corremos atrás desses falsos brilhos sem mesmo nos perguntar por quê. Muito longe da fria realidade que nos cerca, conquistamos ouro de tolo, mas com a nítida sensação de termos adquirido ouro maciço.

Tudo e todos ao nosso redor nos dizem a todo momento e a todo instante: estude nas melhores faculdades, seja importante, seja um profissional de sucesso, influente, famoso; mostre que você tem valor, se esforce, realize todos os seus sonhos. É isso que todo mundo quer. Seja necessário, competente, faça a diferença! A competição e a disputa são estimuladas a todo momento.

Somos jogados ao ringue. Como consequência convivemos com a inveja, com o ódio, a discórdia, a frustração, a insatisfação e todo tipo de descontentamento. E vamos levando e passando isso adiante, sem nada questionar.

Vivemos uma fantasia em função do status, orgulhosos da nossa posição social. Não percebemos, que no fundo, somos escravos, que estamos trancafiados em uma senzala de luxo. Também não há vantagem nenhuma em o ser o chefe da senzala ou a liderança de um grupo de escravos, pois não é motivo de vaidade ser o escravo que dirige o carro de boi, ao invés daquele que corta o pasto; ser o capitão, ao invés do escravo comum. A escravidão é a mesma.

Em nosso dia-a-dia, somos estimulados pela esperança, pela expectativa de comprar roupas, nossa própria casa, nosso carro, de conquistar status, fama, poder, diversões, sensações de prazer, férias, qualidade de vida, viagens. Somos movidos pela ilusão de sermos criaturas livres, que fazemos o que queremos, ainda que seja por apenas alguns momentos. E, estas expectativas, são permanentemente incentivadas, para que a máquina humana produza e consuma cada vez mais.

Ninguém sofre por que quer, ninguém permanece em uma situação de sofrimento sem que exista nela algum tipo de prazer, algum tipo de sensação sensorial prazerosa, sejam momentâneas ou, broken-chains (1)principalmente pela expectativa de prazeres futuros. E estas expectativas de prazeres futuros acabam nos cegando, enfraquecendo nossas mentes e nos tornando cativos de uma ilusão.

A verdadeira qualidade de vida e os verdadeiros refúgios, estão na mente e no coração tranquilos do SER sábio, do SER liberto de todo tipo de DESEJO.

Os antigos calabouços, as barras de ferro das prisões, as paredes, as correntes, foram trocadas pelo aprisionamento das mentes, cultivando e desenvolvendo o desejo, o apego, a esperança, a expectativa, o sonho, a fantasia.

E o resultado disto é muito mais devastador do que as prisões, as paredes, as correntes. Por uma simples e tola ilusão, muitos de nós ainda trocamos as barras e as correntes de ferro das prisões psicológicas por barras de ouro, que passamos a adorar.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s