O Anel de Giges

 

Esta é uma alegoria narrada por Platão no livro II de “A Republica”

AnelGiges

Giges era um pastor que servia na casa do então soberano da Lídia.

Devido a uma grande tempestade e um tremor de terra, rasgou-se o solo e abriu-se uma fenda no local onde ele apascentava seu rebanho.

Admirado ao ver tal coisa, desceu por lá e contemplou, entre outras maravilhas, um cavalo de bronze, oco, com algumas aberturas, e espreitando através delas viu lá dentro um cadáver, aparentemente maior do que um homem, e que não tinha mais nada senão um anel de ouro na mão.

Arrancou-lhe e saiu. Ora, como os pastores se tivessem reunido, da maneira habitual, a fim de comunicarem ao rei, todos os meses, o que dizia respeito aos rebanhos, Giges foi lá também, com o seu anel.

Estando ele, pois, sentado em meio aos outros, deu por acaso uma volta ao engaste do anel para dentro, em direção à parte interna da mão, e, ao fazer isso, tornou-se invisível para os que estavam ao lado, os quais falavam dele como se tivesse ido embora. Admirado, passou de novo a mão pelo anel e virou para fora o engaste. Assim que o fez, tornou-se visível.

Tendo observado estes fatos, experimentou, a ver se o anel tinha aquele poder, e verificou que, se voltasse o engaste para dentro, se tornava invisível; se o voltasse para fora, ficava visível. Assim senhor de si, logo fez com que fosse um dos delegados que iam junto ao rei.

Uma vez lá chegado, seduziu a mulher do soberano, e com o auxílio dela, atacou-o e matou-o, e assim tomou o poder. Esta aí um bom teste para nossas virtudes. O que faríamos nós se achássemos esse anel? A resposta a esta questão revela muito sobre nós mesmos. No caso do texto, o primeiro fato é que Giges saqueia o túmulo.

Depois, o poder o corrompe, ou traz à tona seu lado corrompido e podre. Na questão de saquear e roubar, quem pode dizer que nunca fez? Cometemos este delito quando pegamos um papel, um lápis ou uma caneta do trabalho sem pedir a ninguém, quando podemos fazer algo bem feito e fazemos de qualquer forma.

Criticamos governo, patrões, etc, mas são eles apenas reflexos de nós mesmos, de tal maneira que é só uma questão de oportunidade e de proporção. Como contribuintes nós sonegamos, como governantes desviamos a verba arrecadada.

Como funcionários fazemos corpo mole, não valorizamos o emprego, e como patrões não valorizamos os empregados. Platão diz no final do livro que devemos ser justos, com anel ou sem anel, o que parece claro.

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