Felicidade e verdade

mestrePoderemos então concluir que nem todos desejam ser felizes, pois há aqueles que não querem buscar em ti sua alegria, tu que és a única felicidade? Ou talvez todos a queiram, mas, como a carne combate contra o espírito, e o espírito contra a carne, e com isso se contentam. Porque não querem com força bastante aquilo que não podem, para obtê-lo. Pergunto a todos se preferem encontrar a alegria na verdade ou no erro; ninguém hesita em declarar que preferem a verdade, como em dizer que querem ser felizes. É que a felicidade é a alegria que provém da verdade. E essa alegria é a que nasce de ti, que és a própria Verdade, ó Deus Sagrado! Todos querem essa vida, a única feliz, essa alegria que se origina na verdade. Encontrei muitos que gostam de enganar, mas ninguém que quisesse ser enganado. Onde, então, conheceram a felicidade, senão onde conheceram a verdade? Visto que não querem ser enganados, também amam a verdade, e desde que amam a felicidade, que nada mais é que a alegria proveniente da verdade, certamente também amam a verdade; e não a amariam se não retivessem dela, na sua memória, alguma noção. Por que, então, não se alegram com ela? Por que não são felizes? Porque se empolgam demais com outras coisas, que os tornam mais infelizes do que a verdade, de que se recordam fracamente, e que os faria felizes. Há ainda um pouco de luz entre os homens: caminhem, caminhem, para que as trevas não os surpreendam. Mas por que a verdade gera o ódio? Por que os homens olham como inimigo aquele que a prega em teu nome, uma vez que amam a felicidade, que mais não é que a alegria nascida da verdade? Talvez por amarem a verdade de tal modo que tudo de diferente que amam, querem que seja verdade; e, não admitindo ser enganados, também não querem ser convencidos de seu erro. Desse modo, detestam a verdade por amarem aquilo que tomam pela verdade. Amam-na quando ela brilha, mas odeiam-na quando os repreende; e, como não querem ser enganados, mas enganar, eles a amam quando ela se manifesta, mas a odeiam quando ela os denuncia.  Porém ela os castiga; não querem ser descobertos pela verdade, mas esta os denuncia, sem que por isso se manifeste a eles. É assim o coração do homem! Cego e lerdo, torpe e indecente: quer permanecer oculto, mas não quer que nada lhe seja ocultado. Em castigo, sucede-lhe o contrário: não consegue esconder-se da verdade, enquanto esta lhe continua oculta. Contudo, apesar de tão infeliz, prefere encontrar alegrias na verdade que no erro. Será, portanto, feliz quando, livre de perturbações, se alegrar somente na Verdade, origem de tudo o que é verdadeiro.

Imperfeições humanas

adao_eva_expulsosMas, entre tantas maldades, crimes e iniqüidades, estão os pecados dos que progridem, pecados que os homens de bom juízo insultam, segundo a regra da perfeição, e louvam pela esperança de frutos futuros. Há outras ações semelhantes a ações maldosas ou a delitos, e que não são pecados, porque não ofendem a Deus, nem tampouco à sociedade humana; como por exemplo quando buscamos coisas convenientes para o uso da vida e às circunstâncias, sem que se saiba se essa busca é cobiça, ou quando castigamos a alguém como desejo de que se corrija, fazendo uso do poder ordinário, e não se sabe se o fazemos por vontade de mortificar. Por isso, muitas ações que parecem condenáveis aos homens, são aprovadas por teu testemunho; e muitas, louvadas pelos homens, são condenadas por teu testemunho, porque muitas vezes as aparências do ato diferem das intenções do seu autor, assim como circunstâncias ocultas do tempo. Mas quando exijes, algo insólito e imprevisto, mesmo que o tenhas proibido uma vez, mesmo que escondas por algum as razões do teu mandamento, mesmo que seja contra as convenções de alguns homens da sociedade, quem pode duvidar de que se há de obedecer, sendo que só é justa a sociedade humana que te obedece? Felizes os que sabem o que tu ordenaste, porque os que te servem fazem tudo o que mandas, ou porque assim o exige o tempo presente, ou para preparar o futuro.

Sabedoria

esfinge-gregaBem aventurado é aquele que para alcançar a virtude, não troca prazeres por outros, não troca tristreza ou temores por temores de outra espécie, mas sim sabe que só há uma moeda existente no universo pela qual tudo isso deva ser trocado: a sabedoria.

E só por troca com ela ou com ela mesma, é que em verdade se compra ou se vende tudo isso: coragem, temperança e justiça, numa palavra, a verdadeira virtude, a par da sabedoria, pouco importando que se lhe associem ou dela se afastem prazeres ou temores e tudo o mais da mesma natureza.

Separadas da sabedoria e permutadas entre si, todas elas não são mais do que sombra da virtude, servis em toda a linha e sem nada possuírem de verdadeiro nem são.

A verdade em si consiste, precisamente, na purificação de tudo isso, não passando a temperança, a justiça, a coragem e a própria sabedoria de uma espécie de purificação.

Porque, como dizem os que tratam dos mistérios: muitos são os portadores de tirso, porém pouquíssimos os verdadeiros inspirados.

Que o conhecimento adquirido não seja nunca esquecido.

A Perfeição

estar_em_tudo_budhaQue não chegue o sono a teus olhos cansados antes que te lembres dos teus atos realizados durante o dia.

Como um juiz imparcial, analisa-os e pergunta a si mesmo:

“O que de bom tenho feito ?? O que não cumpri do que deveria ter cumprido ??”.

Revisa um por um, os atos que realizaste no percurso do dia. Censura-te severamente por todas as coisas más que tenhas feito e alegra-te pelos atos de bondade, assim como pelos teus êxitos!

Reflete assim para que estas palavras te aproximem da Perfeição! E que seja o Fiador desta verdade Aquele que em nós colocou o penhor da Essência Divina e da suprema virtude!

Antes de pôr mãos à obra, dirige-te primeiro a Deus com um pedido sincero para que com Sua ajuda possas terminar a obra! Quando te fortalecer neste caminho, saberás tudo sobre os Deuses Imortais, sobre as pessoas, sobre as diferenças que existem entre elas e sobre Aquele que as contém dentro de Si Mesmo sendo seu Fundamento.

Também saberás que o universo inteiro é um Todo Único e que no Eterno não há substância morta. Depois de conhecer isto, não te equivocarás mais, porque os mistérios lhe serão revelados! Saberás também que as pessoas mesmo provocam suas desgraças devido a sua ignorância e que escolhem livremente seus destinos! Ai delas! Em sua louca cegueira não veem que a felicidade desejada está em sua própria profundidade!

Há muito poucos entre nós que podem com seus próprios esforços livrar-se das aflições, pois as pessoas são cegas para entender a lei da formação de seus destinos! Como rodas, elas descem de montanhas levando a carga do dano que fizeram em brigas passadas, carga que rege invisivelmente seus destinos até a morte. Ao invés de buscar uma briga, as pessoas devem, sempre que possível, evitá-la cedendo sem debate.

Ó, Deus Sagrado, será que somente Tu podes liberar o gênero humano das aflições lhes mostrando a escuridão da ignorância que cega seus olhos? Apesar de tudo, não há que perder a esperança de que as pessoas se salvem desta escuridão, pois cada um tem a Raiz Divina e a natureza está disposta a lhe revelar os mistérios da existência! Se penetras nisto, se cumprirá a predição!

Se queres libertar-te das correntes terrenas, aprendes a governar teu destino! Transformar completamente a alma, nos permitirá um dia esmagar a morte com os pés!

Ateísmo materialista

ateismoA natureza não dá saltos. Assim, o ponto nodular de Hegel não pode significar salto como interpretou Engels, um dos pais do materialismo ateu. Exemplificando: a água ao esquentar ou esfriar tem, na ebulição e congelamento, os pontos nodulares de passagem para um outro estado físico.

Na realidade, esses pontos de ebulição e congelamento representam mudanças ordenadas e metódicas. E toda mudança pode ser de cunho evolutivo ou involutivo. As transformações se realizam em bases exatas e matemáticas e todos os fenômenos estão correlacionados. A transformação recíproca e a mútua alimentação e intercâmbio de substâncias constituem a base da mesma transformação. Por exemplo, as ações de sensação são provocadas pelas ações de estímulo; estímulo e sensação estão intimamente associados.

Existem forças reprimidas e forças livres; devemos distinguir as forças libertadores das forças libertadas. Há uma grande diferença entre a libertação de uma força e sua transformação em outra. Quando uma força libera outra, a quantidade de força livre muda ordenadamente. A força livre de um estímulo libera as forças reprimidas de um nervo, e essa liberação de força reprimida se realiza em todos e em cada dos pontos do nervo. Assim, a linha nodular Hegeliana existe em toda a Creação, porém, não origina saltos instantâneos como dizem Marx e Engels.

A dialética materialista, que serve de base para a Ciência do Anticristo, está muito distante da crua realidade da vida. O mundo está precisando de uma nova dialética. Vejamos: os fenômenos vitais se transformam em outros fenômenos vitais, multiplicando-se até o infinito; podem também se transformar em fenômenos físicos, dando origem a toda uma série de múltiplas combinações mecânicas e químicas.

Os fenômenos psíquicos, por exemplo, são captados diretamente e possuem uma força potencial imensamente superior à que possuem os fenômenos mecânicos e físicos.

Conhecemos os fenômenos físicos através de nossos sentidos de percepção externa. Podemos ampliar nossa capacidade de percebê-los com aparelhos e instrumentos, como o microscópio, o telescópio e uma série de aparelhos que a Eletrônica já conseguiu fabricar. A Física admite oficialmente a existência de uma série de fenômenos físicos que não foram, ainda, devidamente demonstrados nem por observação nem por experiência. Exemplo: a temperatura zero absoluto.

Por outro lado, muitos fenômenos físicos não são percebidos diretamente e, na realidade, são meras projeções de causa de outros fenômenos ou de supostas causas de nossas sensações. Todo fenômeno físico que significa mudança, é realizado e realizável dentro da lei natural da seleção, e essa reduz a quantidade à qualidade dentro dos conceitos de tempo, espaço e movimento.

O grau de temperatura da água, ao esquentar ou esfriar, é a causa determinante do grau de coesão molecular. Logo, o grau de coesão molecular é a causa do gelo ou do vapor. Outro exemplo: a corrente de eletricidade que acende a lâmpada precisa de um mínimo de energia, porque todo metal tem seu grau de fusão, e todo líquido dentro de uma determinada pressão, seu ponto fixo de congelamento e evaporação. Porém, nisso tudo não existe acaso. A inteligência cósmica faz tudo de acordo com as leis do número, peso e medida.

Por que dizer tudo isso, deve estar se perguntando o leitor. É que estamos tentando demonstrar o quão vazia é nossa ciência e nossos homens de ciência na medida em que eles desconhecem certas sutilezas ou evidências da fenomenologia. Além do mais, cremos que é nosso dever ilustrar bem nossa base dialética para uma nova ciência e um novo homem.

A lei de seleção é básica em Química, em Física e noutras ciências. Se esse princípio estivesse excluído de e em toda mudança, qualquer homem de ciência, ao tentar fabricar Oxigênio, combinaria três átomos de O em vez de dois para formar uma molécula de O.

Nesse caso, inconscientemente, fabricaria Ozônio. Logo, antes de o cientista fabricar uma molécula de Oxigênio, já existia a lei que determina a quantidade de átomos de Oxigênio para fazer uma molécula da mesma substância. Isso quer dizer que o homem não pode excluir a lei de seleção natural.

Os fenômenos físicos estão em contínua transformação. O calor se transforma em luz, a pressão se transforma em movimento, o movimento se transforma em força mecânica, a força mecânica pode ser transformada em trabalho, o trabalho em criação de milhares de coisas, que, por sua vez, terão milhares de aplicações. Nós podemos produzir fenômenos físicos em laboratórios. Podemos, por exemplo, usar Carbono para fazer diamantes. Mas ainda não podemos produzir energia vital com a qual uma célula viva origina uma outra célula viva.

A Ciência ainda não conseguiu produzir protoplasma vivente. A Ciência ainda não pôde criar vida. Os cientistas, hoje, só podem trabalhar, em seus laboratórios, com as criações já existentes na Natureza, e muitas vezes, só a imitam, jamais a igualam. Exemplificando: os espermatozoides, com que as mulheres estéreis são inseminadas, não foram fabricados pelos cientistas. Porém o sonho desses homens é, um dia, produzir vida, criar uma espécie de Frankenstein cinematográfico.